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“Sorte à Logan (Logan Lucky)” de Steven Soderbergh


Não é à toa que de entre todos os filmes realizados por Steven Sodergergh, o poster de Logan Lucky destaca a trilogia Ocean’s… e a reveladora frase “See how the other half steals”.

A história que convenceu o talentoso realizador a regressar ao ativo (depois de uma estranha reforma, auto-imposta) é precisamente isso. Se em Ocean’s tínhamos um heist movie recheado de estrelas, charme e estratagemas super elaborados, este Logan Lucky coloca uma meia dúzia de rednecks – termo norte-americano utilizado para caracterizar a malta do interior do país, por norma não muito brilhante – a roubar uns quantos milhões da forma mais simplória possível.

Mas simplória não pretende, de todo, retirar mérito ao magnífico argumento de Logan Lucky. Persistem rumores quanto à identidade de Rebecca Blunt – há quem afirme tratar-se de um pseudónimo do próprio Soderbergh – mas independentemente da origem, a coerência e riqueza das suas mil e uma preciosidades é louvável. E a forma como tudo encaixa no final, só está mesmo ao alcance de uns poucos…. iluminados.

And introducing Daniel Craig as Joe Bang é logo o primeiro e o último (nos créditos finais) preciosismo do filme. Aliás a imagem de Craig de cabelo descolorado e fato de presidiário é um dos guilty pleasures que justificam, per si, o visionamento filme. Adam Driver maneta… ou melhor sem uma mão e um antebraço, e Channing Tatum mais flácido e coxo, é a demonstração que o trabalho de casting se cruza com o próprio argumento.

De detalhe pitoresco em detalhe humorístico, Logan Lucky é um filme de entretenimento e diversão recheado de subtilezas que, no entanto, dirão bem mais ao público norte-americano e/ou fiel seguidor do trabalho do realizador e dos atores em questão. E pelo meio há ainda tempo para um assalto que tem tanto de improvável como de primoroso.

Quanto Jimmy Logan (Tatum)  e o seu irmão Clyde (Driver) decidem engendrar um plano para roubar uns quantos milhões na Charlotte Motor Speedway estaríamos longe de pensar (sim, nós!) das voltas e reviravoltas que a história iria dar. Da entrada em cena do mítico Joe Bang (Craig), do papel da irmã de ambos, Mellie (Riley Keough) ou da filha da Jimmy ou dos irmãos de Joe no desenlace na história. É um heist movie mas daqueles que ajudam a manter um sorriso nos lábios e a “torcer” pelos “bandidos”!

Pelo meio até podemos encontrar uma ou outra situação/personagem mais desinteressante ou inoportuna mas o ritmo a que as peculiaridades surgem e a forma desbragadamente inteligente como são resolvidas, ajudam a ultrapassar qualquer contratempo.

Em grandes ou pequenas produções, em assuntos sérios ou mais descontraídos, Soderbergh é realmente um realizador multifacetado e multitalentoso. Logan Lucky pode, até, não ser um filme excecional mas é inegável a sensação de conforto e boa disposição com que saímos da sala de cinema.

Guilty ou não, é sempre um prazer ver (as obras de) Steven Soderbergh!

 

  

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