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“O Castelo de Vidro (The Glass Castle)” de Destin Daniel Cretton

Será, por ventura, um pouco cedo para o género. Ainda para mais quando o Verão teima em não ir embora. E The Glass Castle é um típico filme de Inverno, onde a introspeção e o intimismo ocupam o lugar da diversão e da loucura.

O filme de Destin Daniel Cretton – baseado na história de vida da jornalista Jeannette Walls – retrata a sempre complexa relação entre progenitores e descendentes, para mais numa era em que a figura austera, inamovível e omnisciente do Pai era incontestada.

Neste contexto muito se fala “do filme” de Brie Larson – o seu primeiro filme à séria pós-Oscar de Melhor Atriz por Room – mas The Class Castle “pertence” por completo a Woody Harrelson. O veterano ator que iniciou a carreira de forma determinada e vigorosa graças a Natural Born Killers e The People vs. Larry Flynt, andou vários anos perdido em filmes de menor relevo ou qualidade até que, justiça seja feita, a sua presença em The Hunger Games trouxe-o de volta para as luzes da ribalta e os projetos (com bem maior qualidade) encadearam-se. Curiosamente têm todos em comum a sua imagem de bêbado autoritário mas doce.

Já este ano War for the Planet of the Apes confirmou o seu imenso talento. Se não for pelo filme de Matt Reeves, (ou pelo inédito entre nós, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri,  outros dos potenciais nomeáveis) tenho para mim que a merecida nomeação ao Oscar de Melhor Ator Secundário chegará por este The Glass Castle.

Aliás, desde as primeiras vezes que ouvi falar deste filme, o denominador comum era esse. Prémios. E há ali, sem dúvida, muito potencial.

Pessoalmente a história de Jeannette faz-me recordar um dos livros mais marcantes que tive a oportunidade de ler; A Ignorância de Milan Kundera. O checo, no regresso à sua terra natal, escrevia sobre a forma como a nossa memória pode moldar a forma como nos vemos e como vemos os outros. São pequenos momentos que definem a nossa história. Quando na verdade “de génios e de loucos, todos temos um pouco”. Todos temos os nossos momentos mais vorazes e mais ternos. E, por vezes, a importância que se dá a cada um deles, acaba por determinar (de forma incompleta) quem somos e quem nos rodeia,

A relação de Jeannette (Larson) e do seu pai (Harrelson) era precisamente isso. Se por um lado Rex era um bruto, arrogante, sonhador, inconsequente e alcoólico assumido, não deixava, também, de ser um exemplar educador, um progenitor desafiador que pretendia apenas o melhor para os seus. No filme, enquanto acompanhamos as dúvidas existenciais de uma adulta Jeannette relativamente aos seus pais – Rex e Rose Mary (Naomi Watts) – somos igualmente confrontados com alguns dos episódios que moldaram a sua relação… e a sua personalidade.

Se Woody tem um desempenho impecável, o mesmo se pode dizer da jovem Ella Anderson, que desempenha o papel de Jennette enquanto adolescente. A menina não é propriamente uma estreante – já a vimos, por exemplo, em The Boss e Mother’s Day – mas a forma como evoluiu taco a taco com o veterano ator deixa acreditar que o seu futuro só pode ser risonho.

Faz lembrar, de muitas formas, o peculiar e apaixonante Captain Fantastic. Embora sem o seu lado espiritual e irreverente. Mas com a autenticidade dos factos reais.

Uma história comovente, inquietante e instrospetiva que nos obriga a refletir sobre a exigência depositada naqueles que nos são mais próximos. Muitas vezes de forma algo exagerada e injusta, até.

   

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