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“3 Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)” de Martin McDonagh

É um dos grandes filmes deste ano! Só não me encheu as medidas…

Frances McDorman é simplesmente genial!! 20 anos depois de ter conquistado o seu primeiro Oscar com um desempenho visceral em Fargo, a atriz de Chicago parece ter encontrado o caminho para a sua 2
estatueta.

De olhar duro, língua afiada e resolutiva, pode-se dizer que, até certo ponto, Mildred Hayes confunde-se com a própria Frances McDormand, ou pelo menos com a sua imagem de marca.

Chamem-lhe humor negro, retrato duro e cru de uma América tresloucada, inoperante e conspirativa ou, simplesmente, um filme original e desafiador. Não ter visto In Bruges – o filme de estreia de Martin McDonagh – continua a ser um dos meus pecados assumidos. Pelo contrário, o prazer de já ter visto Seven Psychopaths ajudou a apanhar o ritmo e o estilo do realizador inglês e, sobretudo, a esperar… o inesperado. É mais ou menos isso que define este Three Billboards

Comecemos pelo enredo. Uma mãe (McDormand), cansado da falta de resultados da investigação policial ao assassinato da sua filha, decide colocar em 3 grandes cartazes à entrada da pequena cidade onde mora, algumas frases explícitas. Numa estrada pouco utilizada, Mildred desafia de forma legítima mas corrosiva, as autoridades, a polícia local e o seu responsável máximo, o Chef Willoughby (Woody Harrelson).
Porém, num meio pequeno, em que toda a gente conhece toda a gente, não faltará quem acuse Mildred de ter ido longe demais, com especial destaque para o explosivo e fiel adjunto do comandante, o agente Dixon (Sam Rockwell).

De surpresa em surpresa, de reviravolta em reviravolta, a história adensa-se entre o drama e a comédia, a loucura e a razão, a justiça e o crime (perfeito). De forma totalmente imprevisível e aparentemente aleatória.

Parece mais do que evidente que McDonagh tem uma “pancada” muito grande. Só de uma mente bastante distorcida e questionável sairia um enredo desta natureza que ultrapassa LARGAMENTE o tradicional “primeiro estranha-se e, depois, entranha-se!”.

É um filme que mexe, de forma totalmente imprevisível. Que nos deixa, mais do que uma vez, com o coração (e a razão) na mão. Perdidos. Desorientados. Irrequietos. Indecisos. Desconfortáveis.

Raramente conseguimos assumir uma posição clara sobre qualquer uma das personagens. E quando, finalmente, parece que decifrámos o enigma, McDonagh faz questão de nos “esfregar na cara” que estávamos errados… ou pelo menos presunçosamente seguros de algo que pode, muito bem, não ser exatamente assim.

Para além de McDormand, destaque obrigatório para Sam Rockwell. O ator californiano não tem grandes problemas em fazer de maluco mas o capricho empregue ao seu agente Dixon, com especial relevo para as diferentes nuances assumidas por uma personagem aparentemente linear, tornam quase natural a estatueta dourada de Melhor Ator Secundário.

Última e sentida palavra para o veterano Woody Harrelson. Em Outubro último, a propósito da estreia de The Glass Castle, tínhamos confirmado o ano de ouro do ator texano e “anunciado” a sua mais que provável nomeação por este Three Billboards. Pelo seu desempenho como Chef Willoughby, pelos seus papéis este ano em The Glass Castle, War for the Planet of the Apes ou LBJ (com estreia prevista, no nosso país, no próximo mês) ou pela sua fantástica carreira, Woody parece ser o único em posição para “roubar” o Oscar a Rockwell. Não ficaria mal entregue!

Muito bom filme!
Pena que o final tenha ficado aquém das expetativas criadas ao longo de 2h obras de pura loucura!

  

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