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“Suburbicon” de George Clooney


É Clooney a fazer de Coen… e Damon a fazer de grande ator!

A questão é que se Damon cumpre plenamente a sua parte, Clooney segue em demasia a cartilha dos irmãos Coen, tornando Suburbicon no mais previsível dos filmes… mesmo perante um argumento precioso e surpreendente.

Parece confuso? Mas não é!
O enredo da autoria dos irmãos é precisamente aquilo a que eles nos habituaram. Uma mistura explosiva de humor negro – bem corrosivo!! – com intriga, crítica social e violência. O problema é que Clooney não consegue acrescentar nada de original ao género… e mesmo perante o talento de Matt Damon e um argumento realmente bom, o filme é (apenas) aquilo que é (e nada mais).

Para além do protagonista, destaque para a presença de Julianne Moore, Oscar Isaac e Noah Jupe (Wonder). Se o enredo é suculento, o mesmo se pode dizer do conjunto de atores de elevada qualidade que se chegaram à frente para dar vida a uma história viciante.

Anos dourados da economia norte-americana. Os subúrbios são o local mais in da altura, onde as famílias podem-se estabelecer longe da confusão dos centros urbanos. Mas a paz em Suburbicon está para acabar quando um casal de afro-americanos instala-se numa das magníficas vivendas da cidade. Na casa “ao lado”, Gardner (Damon) vê-se a braços com a mafia e a situação parece cada vez mais descontrolada quando a sua família é ameaçada de morte por dois “cobradores de dívidas”. E depois é o caos!

Parece assustador. E de certa forma, até é. Mas por cada momento mais viril há sempre um apontamento irónico, cómico ou surpreendente que alivia a tensão e que nos faz retornar ao estilo tão característico dos irmãos Coen.
Falta apenas um momento realmente original. Uma marca da visão de Clooney que tão boas referências deixou em Good Night, and Good Luck. ou Ides of March mas que aqui se limita a cumprir a função de passar o argumento para imagem.

Não espantaria se o argumento e o protagonista recebessem da Academia o reconhecimento que não têm obtido dos demais prémios. Já seria fantástico para um filme que podia (e devia) ter ido mais além.

Foi bom… mesmo sendo TÃO mau!
(Ou como dizem os norte-americanos, “It’s so good, to be bad!!”

   

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