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“Operação Entebbe (7 Days in Entebbe)” de José Padilha

Depois de Tropa de Elite e respetiva sequela, seria de esperar que José Padilha apostasse numa montagem bem mais incessante e num imaginário visual bem mais contundente. Afinal estávamos perante uma vertiginosa história verídica…

Porém, o realizador brasileiro, optou por um retrato mais psicológico e instrospetivo. Foi pena, porque a História e os intervenientes nesta reconstituição pareciam altamente preparados para um filme mais musculado e real.

E não estamos propriamente a falar dos momentos altamente coreografados que marcam o início, o fim e o desenlace do filme. A metáfora escolhida por Padilha para ilustrar a dedicação absoluta do povo israelita à sua causa, encaixa na perfeição com os movimentos ritmados da dança contemporânea enquanto a música retumbante ajuda a criar a tensão necessária para viver emotivamente cada momento periclitante.

Mas – e este é realmente um mas mais significativo do que estaríamos à espera – os 7 dias do sequestro são, várias vezes, pautados por longos períodos de reflexão existencialista que superam as necessidades de emotividade e identificação. Há toda uma componente política e cultura que interessa a Padilha no seu retrato de uma época sui generis e altamente incoerente, mas que afasta o espetador ávido por um filme de ação propriamente dito.

Os contornos reais da história que levou 2 alemães a juntar-se a um grupo de palestinianos no sequestro dos passageiros e tripulação de um voo da Air France em meados da década de 70, eram mais do que suficientes para manter os espetadores bem presos às cadeiras mas a opção por simplificar em demasia o desenlace acaba por deixar um certo amargo de boca ao sair da sala.

Daniel Brühl e Rosamund Pike são os cabeças-de-cartaz e responsáveis por dois dos papéis do mais ambíguo que vimos na 7ª arte, nos últimos tempos. Não é difícil simpatizar e ao mesmo tempo renegar os seus Wilfried Böse e Brigitte Kuhlmann. À medida que os dias passavam, o seu comportamento no aeroporto de Entebbe, Uganda, deixava perceber que o idealismo e o terrorismo não seriam mais do que as suas faces da mesma moeda. O que não deixa de ser um conceito bastante controverso… mesmo nos nossos dias.

Era um período conturbado da política internacional e, como em quase todas as questões relacionadas com o conflito israelo-palestiniano, é difícil distinguir entre heróis e vilões. Padilha tem, precisamente, o condão de se valer dessa ambiguidade para construir uma narrativa inquietante e desconcertante mas que merecia outra pujança.

Não foi, necessariamente, o filme que estávamos à espera… o que não quer dizer que não tenha as suas qualidades e relevância histórica e cinematográfica.

Foi bonzinho… mas fica a clara ideia que havia ali material para algo bem melhor.

  

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