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“Ready Player One – Jogador 1” de Steven Spielberg

Quantos anos serão necessários até apreciarmos, em toda a sua plenitude, o mais recente trabalho de Steven Spielberg…?? Só o tempo o dirá, naturalmente.

Mas vê-lo em IMAX 3D, faz realmente toda a diferença!

Na prática existe 3 filmes dentro de Ready Player One. O mundo “real” em Columbus, Ohio, no ano de 2045. O mundo virtual dentro da OASIS. E o mundo das homenagens, nostalgia, reconhecimento e easter eggs espalhados por entre ambos.

Comecemos por este último.
Quem melhor que Steven Spielberg para transportar para a 7ª arte as milhentas referências que a obra de Ernest Cline faz aos anos 80? Só nessa década o consagrado realizador realizou, nada mais, nada menos, do que Raiders of the Lost Ark (1981), E.T. the Extra-Terrestrial (1982), Indiana Jones and the Temple of Doom (1984), The Color Purple (1985), Empire of the Sun (1987), Always (1989) e Indiana Jones and the Last Crusade (1989). Consta que o realizador procurou ao máximo evitar as auto-referências mas a equipa de desenhadores e programadores não resistiu em contrariá-lo.

No livro, o autor norte-americano não se acanhou em reviver a década e o realizador cumpre, quase na plenitude, as suas intenções. A dada altura, os easter eggs são destinados meramente aos nerds de entre os geeks, mas há aquelas referências – como o DeLorean, o Iron Giant ou The Shining– que não escapam a ninguém! E ainda bem. Para lá do filme, Ready Player One ficará certamente na memória dos espetadores e apreciadores de cinema pelo sua síntese daquilo que os anos 80 de melhor tiveram para oferecer, em termos da denominada “cultura pop”.

Fora da OASIS, o mundo pós-apocaliptico retratado remete, acima de tudo, para a temática recorrente das obras de Spielberg. O jovem órfão que supera todas as adversidades para triunfar. Para além de algumas (boas) surpresas, o mundo real pouco mais tem para oferecer do que emoção. Sim, estamos perante uma obra de ficção-científica mas nada como pessoas de carne e osso (em vez de pixels) para a emotividade crescer a olhos vistos.

Na OASIS tudo acontece. TUDO porque efetivamente, na realidade virtual imaginada por James Halliday (Mark Rylance) existem milhões de coisas a acontecer em simultâneo. A diversão é o ponto de partida mas na OASIS há/é muito mais do que um passatempo.
E TUDO porque, em termos narrativos, é lá, de óculos postos e de fato sensorial vestido que a nossa história evolui, sem regras ou limites para a imaginação.

Tye Sheridan é o protagonista. Apesar de não ser propriamente um desconhecido (Mud, X-Men: Apocalypse), o jovem texano tem aqui a sua primeira grande oportunidade para se destacar. Ar singelo e humilde, a imagem do ator de 20 anos encaixa na perfeição com o de Wade Watts aka Parzival. Competente, sem dúvida.

Destaque idêntico para Olivia Coke. A jovem inglesa que deu nas vistas numa das pérolas do cinema independente de 2015, Me and Earl and the Dying Girl, chega agora ao grande público e o futuro parece realmente risonho. A típica girl next door, versão britânica, ou seja, enigmática e frágil mas talentosa.

Art3mis não será a protagonista da história – lembrar que a narrativa evolui na sua larga maioria dentro do universo OASIS – mas é, seguramente, o seu Joker! Se Parzival (Sheridan) é uma personagem previsível e coerente, a sua amiga virtual acabará por ser a chave de todo o enredo. A busca do Easter Egg que dará ao jogador que o encontrar o controlo de todo o OASIS é o objetivo máximo de todos os jogadores e empresas mas, para os espetadores, o primeiro desafio é perceber quem é esta enigmática personagem, na versão virtual e, sobretudo, em carne e osso.

Em certa medida vemos Ready Player One com os olhos de Wade Watts. Com a sua inocência, entusiasmo e fascínio pela forma como o cinema tornou capaz (fruto dos avanços gigantescos da tecnologia nos últimos anos) a transição da novela para a 7ª arte. Se ter a imaginação para crias a história – e sobretudo o OASIS – já não é fácil, imaginem visualizar tudo aquilo! E, depois, torná-lo real!!

Ficou a clara sensação ao sair da sala que, apesar do seu impacto visual, Ready Player One esta bem mais talhado para se tornar um filme de culto do que, propriamente, um filme de massas. É um filme para ser apreciado com tempo. Talvez com o mesmo tempo que nos permite, agora, deliciar-nos com a cultura pop dos anos 80.

Se ainda restavam dúvidas que os nerds e os geeks tinham “tomado conta do mundo”, ficaram agora desfeitas!

E quando lemos notícias que Ernest Cline está a prepara uma sequela para o livro, com a colaboração do próprio Steven Spielberg, só podemos ficar extasiados!!

  

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