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“Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)” de John Krasinski


As comparações com o fenómeno (e fenomenal) GET OUT são inevitáveis seja pelo timing da estreia, pelo género, pelo orçamento ou pela forma de promoção do filme.

Só se esqueceram (de dizer) que há 15 anos um tal de M. Night Shyamalan fez um filme, de seu título Signs. Dizem as regras do suspense e da cinéfila que não é de bom tom revelar mais detalhes, pelo que ficamo-nos pela nota.

John Krasinski não é propriamente um estreante atrás das câmaras – aliás não teria sido má ideia a estreia de The Hollars nos nossos cinemas – mas o impacto retumbante que o filme alcançou, desde a estreia do trailer num dos intervalo do Super Bowl deste ano, catapultou os seus intervenientes e o filme para altos voos. Já se fala, inclusive, em Oscars. E não é por acaso.

Confesso a minha admiração pelo rapaz. Aliás sempre achei mais ou menos estranho a sua parca participação e reconhecimento na 7ª arte, apesar de um início de carreira com títulos como LEATHERHEADS, AWAY WE GO ou LICENSE TO WED, e o seu fenomenal desempenho na versão norte-americana da série The Office.

Efetivamente os ventos de mudança parecem ter chegado à sua carreira. 13 Hours de Michael Bay terá dado o ponto de partida, prosseguido pela série da Amazon Studios, Tom Clancy’s Jack Ryan, na qual assume o papel de protagonista.
E chegamos a A Quiet Place. Apesar da sua incursão pelo cinema de ação, Krasinski era bem mais conhecido pelos seus dotes de comediante do que propriamente pelo seu talento como realizador ou, seguramente, em filmes mais sérios e dramáticos.

Essa é sem dúvida a grande revelação deste filme. Para lá do suspense e do factor surpresa de vermos Krasinski e a sua esposa na vida real, Emily Blunt, a protagonizarem um filme de terror, o que nos prende realmente à cadeira (para além do medo!!!) é o drama familiar e social que o filme retrata. Um enredo rico e de uma narrativa incessante mas, também, uma história realmente humana e contundente que nos leva a ponderar e imaginar uma situação realmente aterradora.

Lee e Evelyn Abbott (Krasinski e Blunt, respetivamente) sobrevivem num mundo pós-apocalitico com os seus filhos num ambiente rural e isolado, no qual o silêncio não é só de ouro, como fundamental. Uma raça alienígena assolou o nosso mundo, exterminando todos que se lhe apareçam pela frente. Mas com uma ressalva, sem o sentido da visão eles detetam as suas presas apenas pelo som. E isto é apenas o começo.

Os amantes do cinema de suspense e terror dificilmente sairão defraudados das salas de cinema enquanto os demais cinéfilos têm o prazer de assistir a um enredo coerente, assustador mas desafiante.

Não bastasse, os produtores começaram, desde já, a falar de uma possível sequela. Mais do que a pertinência da mesma ou o seu potencial, esta predisposição demonstra a inegável qualidade do argumento e do trabalho de Krasinski ao incorporar diferentes elementos que não só engrandecem o filme, como permitem várias (re)interpretações.

Estão seguramente no caminho certo. Descalços. Sobre farinha. Em silêncio absoluto. Com o coração nas mãos. E de olhos BEM ABERTOS.

Foi mesmo, muito bom!

   

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