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“A Sombra da Verdade (Backstabbing for Beginners)” de Per Fly

Se era para colocar o dedo na ferida, tinha de ser até ao fundo!

O dinamarquês Per Fly (ou Per Fly Plejdrup) recupera um dos maiores escândalos do final do século XX, quando foi revelado que centenas de entidades e indivíduos utilizavam as Nações Unidas como ferramenta para lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, corrompendo os mais altos cargos do organismo.

O programa Oil for Food que condicionou a evolução económica (e política) no Iraque no pós Guerra do Golfo até à deposição de Saddam Hussein, teria os seus méritos (pelo menos em teoria) mas ficou sobretudo conhecido pelas piores razões. No epicentro do mesmo encontramos duas figuras-chave do processo (de denúncia): o jovem Michael Sullivan (de apelido Soussan) e o veterano Pasha (cujo nome real é Benon Sevan).

Theo James dá vida ao jovem diplomata que se vê envolvido neste esquema à escala global e que acaba por ser a peça central para o seu desmantelamento. O jovem co-protagonista das sagas Underworld e Divergent, promete vir a ser mais do que uma cara laroca. Este Backstabbing for Beginners pode ser o ponto de rutura mas, por agora, é apenas o episódio singular.

Do “outro lado da barricada”, um veterano em GRANDE forma. Ben Kingsley dispensa apresentações – mesmo que os mais novos o reconheçam simplesmente pelo papel de Mandarin em Iron Man 3 – e, mais uma vez, tem um desempenho irrepreensível. Uma personagem recheada de camadas, cuja ambiguidade carrega toda a imprevisibilidade e tensão do filme.

Aos 20 e poucos anos Michael Sullivan é contratado pelas Nações Unidas para assessorar Pasha, um dos mais veteranos membros da organização e responsável máximo pelo programa Oil-for-Food através do qual as Nações Unidas controlava as vendas de petróleo iraquianas direcionando as receitas para bens de primeira necessidade destinados à população de um país fragmentado e amplamente condicionado pelas sanções impostas pelos aliados no pós-Guerra do Golfo.
A questão é que, veio-se a confirmar, a corrupção em torno do programa atingia proporções inimagináveis, altas patentes da organização e centenas de empresas e individualidades com um estatuto e poder assustador.

Apesar da cautela e “panos quentes” com que o filme aborda o caso, o retrato superficial é mais do que suficiente para deixar-nos com uma indisfarçável sensação de desconforto perante o mundo em que vivemos.

Imaginem se tivesse havido coragem para “chamar os bois pelos nomes”!

Ficou a História.

   

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