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“A Minha Família do Norte (La Ch’tite Famille)” de Dany Boon


Fica uma indisfarçável sensação agridoce.

Por um lado, estamos perante alguns dos melhores momentos de comédia deste longo Verão cinematográfico.
Por outro, o filme fica aquém do seu potencial, sobretudo no terceiro acto, explorando apenas ao de leve uma temática que podia e devia ter garantido mais umas quantas boas gargalhadas e, por que não, algo mais original e arisco.

Dany Boon continua uns furos acima da concorrência, no que ao cinema de humor diz respeito. mas se o ponto de partida deste filme tem imenso potencial, o desenlace final preocupa-se em demasia em homenagear as origens “nortenhas” do ator/realizador/argumentista, ao invés de aprofundar o lado mais humorístico do enredo.

Boon é naturalmente o protagonista. O ator francês veste a pele de Valentin D, um afamado e empertigado designer e arquiteto, parisiense, órfão ou, em bom francês, “un con“!! Até ao dia em que a sua família (do Norte) lhe aparece, sem aviso, na inauguração da sua mais recente exposição.
Mas o “pior” é mesmo quando após um improvável acidente, Valentin perde (parcialmente) a memória e julga-se de regresso aos seus tempos de jovem adulto.

Será mais ou menos fácil prever o que de cómico por aí vem. Mal entendidos, choque cultural e linguístico, alguma parvoíce e um honesto sentimento de (in)gratidão pelas raízes culturais e familiares.

Quem teve o prazer de descobrir, em 2008, o fantástico Bienvenue chez les Ch’tis, já terá uma ideia do que o espera. Na altura Dany Boon era praticamente um desconhecido do (grande) público nacional e internacional mas os últimos 10 anos trazem outra história. O ator/realizador/argumentista volta, então, ao local onde foi feliz (e onde nasceu!) para alguns dos melhores momentos cómicos que os cinemas nacionais presenciaram este ano!

O senão é que a história não acompanha o ritmo destes pequenos episódios delirantes, deixando a ideia que o argumento se acanhou e optou pelo caminho mais simples. Nada de grave, obviamente, mas no fundo, no fundo, queríamos ter prosseguido um pouco mais naquele “universo paralelo” pleno de oportunidades para nos fazer rir… sonoramente.

Foram umas boas (e sonoras) gargalhadas.

Se o Dany Boon nos ler, sugeria-lhe rodear-se de malta com ideias novas e refrescantes para compor as próximos histórias… já que no que aos sketchs diz respeito, o talento (dele!) está todo lá!!

   

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