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“Engenhos Mortíferos (Mortal Engines)” de Christian Rivers

É estranho, sombrio, algo inseguro mas com um potencial imenso.

Peter Jackson – desta vez apenas como produtor – volta a apostar na fórmula Senhor dos Anéis, juntando um fantástico (ou fantasioso) universo literário a um grupo relativamente desconhecido de jovens protagonistas.

Mas se Christian Rivers não é Peter Jackson, Philip Reeve não é, certamente, J.R.R. Tolkien. As semelhanças, no conceito, entre a Middle Heart e este universo pós-apocalitico são naturalmente evidentes, ainda que com abordagens totalmente distintas.

Num futuro longínquo em que os recursos naturais são cada vez mais escassos, as cidades e as povoações movimentam-se suportados por poderosos mecanismos de locomoção. A procura por bens, essencialmente de primeira necessidade, leva as “cidades” a relacionarem-se, muitas vezes de forma predadora. Mas, para lá do muro, há algo especial…

Para enquadramento, Reeve já escreveu 8 volumes em torno dos seus Mortal Engines. Quatro que relatam a dinâmica entre as “cidades sobre rodas” e outros quatro que narram o princípio do fim do mundo, como nós o conhecemos. Franchise à vista?

Restam poucas dúvidas que é/era esse o objetivo. E potencial não lhe falta. Ainda que limitado ao nosso planeta – pelo menos pelo que nos é dado a conhecer neste primeiro capítulo – Mortal Engines parece ter a abrangência e riqueza de um Universo Star Wars. Com as devidas distancias, naturalmente.

Ficamos a conhecer Hester Shaw (Hera Hilmar), uma jovem independente marcada pela sede de vingança. Ficamos a conhecer Robert Sheehan (Tom Natsworthy), um historiador e idealista de origens humildes. Ficamos a conhecer Anna Fang (Jihae), a líder da revolução. Ficamos a conhecer Thaddeus Valentine (Hugo Weaving). Por ventura, o único erro de casting. Não que o ator de Matrix ou Lord of the Rings não corresponda plenamente às expetativas mas a sua imagem como “vilão de serviço” parece algo repetitiva, especialmente perante um elenco de jovens desconhecidos.

Londres surge no centro da discórdia. A cidade (sob rodas), comendada por Valentine, assume pleno protagonismo na caça por recursos e outros artefactos. Mas há algo que une Valentine a Hester, algo tão poderoso que promete alterar a balança de forças deste frágil ecossistema em que o nosso planeta de tornou.

Não é, certamente, um filme fácil de vender. Sem grandes nomes, sem uma legião de fãs oriundas da literatura, sem um passado que facilite o seu reconhecimento, Mortal Engines é daqueles filmes que compensa imensamente o risco, especialmente se tivermos em consideração o futuro risonho que nos tem para oferecer. Isto se as inevitáveis sequelas não ficarem condicionadas por questões mundanas como os resultados de bilheteira.

Ao contrário de outros franchises que apostaram tudo no primeiro tomo e arrastaram-se até ao desenlace final, Mortal Engines deixa bem claro que o que aí vem será imensamente melhor do que o que vimos até agora.

A mistura de universos. As cidades, os aviões, a muralha, os mares e tudo o que ainda não vimos. Os humanos, os desumanos, os robots, as engenhocas, a futurologia e a nostalgia. Há seguramente um longo e extraordinário novo mundo por conhecer. E merece.

Não será um filme extraordinário.

Mas seguramente cria as bases para um futuro tentador.

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