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“A Favorita (The Favourite)” de Yorgos Lanthimos

Yorgos Lanthimos é, certamente, um dos realizadores do momento. Primeiro The Lobster – nomeação ao Oscar® de Melhor Argumento Original – e depois The Killing of a Sacred Deer ajudaram-no a tornar-se numa figura peculiar mas incontornável da atualidade cinematográfica. Filmes perturbadores mas desafiantes, pelo menos assim escreveu a crítica (especializada).

Seguiu-se este The Favourite, um filme peculiar mas incontornável nesta temporada dos prémios. A forma supera o conteúdo, fruto, tal como é apanágio da obra do realizador grego, do recurso a alguns planos quase experimentalistas mas, reconheça-se, totalmente coerentes com a visão e atmosfera do filme.

Por entre esses contorcionismos visuais, três papelões do que de melhor passou pelas salas de cinema nos últimos 12 meses. Não é por acaso, que Olivia Colman, Rachel Weisz e Emma Stone têm vindo a acumular nomeações e, no caso da primeira, prémios.

Nunca esquecendo Glenn Close – sobretudo pela tradição de Hollywood em premiar carreiras – Colman será, neste momento, a principal candidata ao Oscar de Melhor Atriz. A sua transformação na Rainha Anne, supera o brilhante trabalho de Lady Gaga, pelo simples motivo que a jovem cantora/atriz acaba por fazer de si mesmo, enquanto a atriz britânica reinventa-se para o papel na última monarca da Casa de Stuart.

É ela o foco de toda a ação, mas, em boa verdade, é o duelo entre Weisz e Stone o motor de toda a ironia, sarcasmo e conteúdo dramático do filme. O lugar de consorte da Rainha Anne e, sobretudo, a luta palaciana entre Lady Sarah e Abigail Masham por essa posição, é o mote e a fonte de todo o humor… negro, corrosivo e explosivo!

O facto de haver, nesta história, uma inspiração em factos verídicos – pelo menos a contextualização histórica e as suas principais personagens – adensa a curiosidade e o impacto de um filme verdadeiramente corrosivo.

O principal senão é que a vários momentos, Yorgos e o seu diretor de fotografia, Robbie Ryan, distraem-se em demasia com lirismos visuais que afastam o espetador mais mundano e retiram algum do fulgor a uma narrativa deveras picante. São os filmes “dos Oscars” dirão alguns…

Tecnicamente é, efetivamente, um filme irrepreensível. A recriação de época é de uma competência extrema, especialmente, ao nível dos cenários e direção artística, enquanto a narrativa mais roubando alguns elementos factuais para construir um enredo surpreendente e desafiante.

O desenlace pode não ser aquela coisa mas a viagem é verdadeiramente estimulante. Mesmo que algo desconfortável, ou não fosse feita por entre caminhos cobertos de lama e numa carruagem puxada por apenas dois cavalos!

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