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“Correio de Droga (The Mule)” de Clint Eastwood

Ao contrário do que sucedeu com Robert Redford em The Old Man & the Gun, não há qualquer indício que Earl Stone seja a última personagem encarnada pela veterano ator e realizador norte-americano, responsável (à frente ou atrás das câmaras) por filmes tão lendários como Dirty Harry, The Good, the Bad and the Ugly, Million Dolar Baby ou Unforgiven. E podíamos, de bom grado, enunciar mais uma boa dúzia de filmes, sem qualquer preconceito ou hierarquia!!

Ainda assim, se o fosse, seria igualmente um belo retrato de uma carreira ímpar na história do cinema. Um cavalheiro que somou, como poucos, a uma carreira como ator, um superior currículo atrás das câmaras, quebrando, para sempre, esse chavão que um grande ator nunca poderia vir a ser um grandíssimo realizador!

Clint Eastwood ficará para sempre como um dos grandes da 7ª arte e por isso, e apenas por isso, este The Mule fica aquém das expetativas. No que toca ao cinema Clint a fasquia está lá bem alto… e muito embora Earl Stone seja uma figuraça, faltou (estranhamente) arrojo ao filme para construir um enredo que fosse além da mera narrativa factual.
Ao ponto do filme culminar com um atípico anticlimax…

Charmoso e arisco, Earl (Eastwood) tinha uma paixão pelas suas plantas… e uma extrema dificuldade em cumprir as suas funções como marido e como pai. Já octogenário, e a atravessar graves problemas económicos, o antigo herói da II Grande Guerra, tornou-se num dos mais profícuos correios de droga de um dos mais perigosos cartéis mexicanos. Tirando partido de uma imagem imaculada e de uma certa desfaçatez que apenas a idade confere, Earl chegou a transportar 300 quilos de cocaína (ou 3 milhões de dólares de mercadoria) numa só viagem!

Uma das curiosidades deste The Mule, é a presença de Bradley Cooper num papel secundário mas perspicaz. Depois de A Star is Born (título que herdou do próprio Eastwood) o actor de Philadelphia relembra aos espetadores (e aos membros da Academia!) que o aspeto acabado, a voz rouca e o andar arrastado e exausto do seu Jack Maine são inteiramente fruto do seu talento.

A imprevisibilidade do rumo que o filme e a história segue é um dos seus grandes trunfos. Pena é que a opção por seguir uma cronologia linear e uma montagem conservadora lhe tenha retirado algum dramatismo e impacto, para lá das 2h de uma agradável viagem.

Faltou aquele elemento intangível. Aquele click que torna um filme bom, em algo mais.

… e que Clint Eastwood tantas, e tantas vezes, nos ofereceu.

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