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“Green Book – Um Guia para a Vida” de Peter Farrelly

De entre os nomeados (ao Oscar de Melhor Filme) é, sem dúvida alguma, o mais completo. Grandes desempenhos, grande história, uma filme cheio de coração e de razão, com princípio, meio e fim.

Em suma, apesar da elevada qualidade, o filme não tem hipótese alguma de conquistar o Oscar máximo da Academia.

Considerações sarcásticas relativamente à temporada de prémios à parte, voltemos ao Guia para a Vida. Na prática, esse Green Book, é uma das relíquias e um dos segredos bem guardados deste filme.

Era uma época diferente (ainda que o grau de diferenciação, para os dias de hoje, dependa bastante do ponto de vista) em que o racismo e a xenofobia em terras norte-americanas, especialmente a sul, era uma realidade que marcava o quotidiano de todos: italianos, irlandeses, negros, mestiços, caucasianos, índios, mulheres ou desfavorecidos. Mas, o imenso melting pot em que Nova Iorque se tinha transformado, tardava em “chegar” aos Estados do midwest norte-americano. Dois homens, ligados pelo acaso, testaram o status quo.

Muito embora Mahershala Ali venha recebendo os principais elogios pelo seu desempenho como Don Shirley, é inquestionável a qualidade e precisão do trabalho de Viggo Mortensen. O ator nova iorquino sempre optou por fugir aos estigmas e construiu uma carreira ímpar, distante da indústria e dos seus vícios. O seu Aragon (de The Lord of the Rings) é mais um acidente de percurso que lhe garantiu o reconhecimento das massas e o retorno financeira para seguir outros projetos.

Tony Lip, o bonacheirão italiano, apreciador de comida e senhor de um gancho de direita fortíssimo, pareceria logo à partida uma personagem com a qual seria fácil estabelecer uma curiosa empatia, mas Viggo transmite-lhe uma autenticidade cativante… ao ponto de ser quase consensual que o seu desempenho supera o de Ali durante quase todo o filme. A diferença é que Mahershala está nomeado para o Oscar de Melhor Ator Secundário (categoria na qual é o principal favorito!) enquanto Mortensen está com os tubarões.

Dr Don Shirley era um homem invulgar para o seu tempo. Aliás, mesmo para os nossos dias! Numa altura em que a escravisão era ainda uma realidade em alguns Estados norte-americanos, um pianista negro a viajar pelo sul do país, com um motorista branco (mesmo que italiano) era muito muitos visto como uma alucinação.

Se os negros não compreendiam quem podia ser aquele cavalheiro com um tom de pele idêntico ao seu, no banco de trás de um Cadillac, os brancos – mesmo os que o recebiam para as suas atuações – respeitavam apenas o artista, uma vez que o homem, de raça negra, continuava a ser um negro.

Don e Tony eram, efetivamente, de mundos bastante distintos, mas, durante algumas semanas, em território inóspito, uma amizade improvável moldou para sempre a vida de ambos. E serve de lição de vida, para todos nós!

Se, no que diz respeito ao prémio de Melhor Filme, as aspirações são contidas, o Oscar de Melhor Argumento Original parece quase uma certeza. São pequenos detalhes, longas reflexões, diálogos intensos e uma mensagem tão intensa quanto deliciosa.

É um dos filmes do ano, seguramente.
Ganhando um ou vários Oscars

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