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“O Dia a Seguir (The Aftermath)” de James Kent

Independentemente do género cinematográfico, é plenamente assumida a nossa admiração por filmes que integram factos reais no seu enredo. Muito mais quando se trata de um período tão fascinante como a II Guerra Mundial.

The Aftermath seria sempre um belo filme, mas acaba por se destacar dos seus pares, ao explorar esse enquadramento real.

O realizador James Kent passa da Primeira para a Segunda Grande Guerra, mantendo o Amor, em tempos de Guerra, como o tema central das suas obras.

Alicia Vikander, Kit Harington e Taron Egerton formavam o triângulo amoroso de Testament of Youth, o filme de estreia do realizador britânico.
Em The Aftermath avançamos três décadas mas mantemos a geometria das relações. Keira Knightley, Jason Clarke e Alexander Skarsgård assumem pleno protagonismo, num retrato apaixonante sobre o efeito da Guerra, nas pessoas (de carne e osso) que a ultrapassam… ou que a sobrevivem.

Rachael Morgan (Knightley) chega a Hamburgo para acompanhar o seu marido (Clarke) em solo alemão enquanto o oficial inglês tenta manter a paz e a ordem numa Alemanha retalhada e destruída pela Guerra. Nesse inverno de 1945, a convivência entre britânicos e alemães era complexa, estranha e indefinida, após 6 anos de carnificina.
É, pois, com inegável desconforto que Rachael vê o seu marido convidar o dono da imensa moradia onde se instalam, o arquiteto alemão Stephen Lubert (Skarsgård), a permanecer em sua casa durante a estadia do casal em solo alemão.
No entanto, para lá do preconceito inicial, nasce algo bem mais fervoroso do que a própria Guerra…?

É, de facto, apaixonante. E sujo. E estranho. E impensável.
Por entre o referido triângulo amoroso, há, verdadeiramente, uma contextualização histórica que garante ao próprio romance uma autenticidade palpável e tocante. Rachael, Lewis e Stephen podem ser apenas personagens fictícias saída da caneta de Rhidian Brook mas podiam muito bem ser pessoas reais. Numa situação extraordinária. E irrepetível.

O mesmo se aplica – talvez até de forma mais contundente – às diferentes personagens secundárias (ou figurantes, em alguns casos) que retratam, naturalmente sem grande romantismo, a dura realidade de uma era e de país totalmente destroçado, sem rumo e imprevisível.

Quanto ao romance que conduz o filme, ele é, de facto, cativante. Para tal é fundamental a naturalidade com que ele surge, mesmo perante a sua improbabilidade histórica.
Estamos perante um período bastante incerto e latente e isso transmite uma superior ansiedade e expetativa quanto ao seu desenlace.

Destinado a um público mais maduro, sem dúvida, mas suficientemente apaixonante para atrair todo e qualquer cinéfilo em busca de uma boa história.

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