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“Extremamente Cruel, Escandalosamente Perverso e Vil (Extremely Wicked, Shockingly Perverse and Vile)” de Joe Berlinger

Seguramente uma das grandes surpresas do ano.

O filme vinha referenciado como Perverso e Chocante, e até pelo desempenho do jovem Zac Efron. Ninguém, no entanto, tinha alertado para a qualidade do trabalho do realizador Joe Berlinger.

Nada de longos planos, close-ups ou belas paisagens. Extremely Wicked… é um filme de orçamento modesto, sombrio, cru e, muitas vezes, com uma fotografia a lembrar os telefilmes dos anos 90, mas a qualidade das opções tomadas por Berlinger faz, de facto, com que seja um dos grandes filmes independentes do ano. E tudo, pelo ponto de vista.

O filme relata a história (geral) de Ted Bundy, um gajo normal, fiel, namoradeiro e bem parecido que, aparentemente enganou meio-mundo e encantou o outro meio. No epicentro da sua vida social encontramos Liz Kendall, sua parceira durante vários anos e “narradora” da história que assistimos. Incrédulos. Desconfiados. Assutados.

A História de Ted é de conhecimento público, sobretudo nos EUA, mas Berlinger opta por seguir o livro escrito por Elizabeth Kendall, no qual a própria relata a sua experiência com Ted. E, apesar da tentação, o realizador limita-se verozmente a seguir esse ponto de vista. Sem nunca desviar a atenção para o lado mais macabro ou chocante da História, o filme constrói uma narrativa cativante, poderosa mas ao mesmo tempo linear e direta. Tudo o que vemos (ou quase) vem de Liz e é com ela que vamos até ao FIM.

Efron tem, de facto, o melhor desempenho da sua ainda modesta carreira cinematográfica. A personagem convidava a uma figura como a da jovem estrela da Disney e do High School Musical, mas é necessário o devido talento para ser herói e vilão na mesma história. Para mais quando a distância entre ambos é tão evidente como uma pena, ou um camião TIR.

Anos 70. Liz Kendall (Lily Collins) é uma mãe solteira que conhece um sedutor jovem, com quem inicia uma relação. Ao longo dos anos, Ted (Efron) parece ser um sujeito completamente normal, trabalhador, bom companheiro e apaixonado. Mas Ted, era, também, um assassino em série.

Até que ponto Bundy era de facto culpado, doente ou maquiavélico é difícil de perceber. Liz, Carole Ann – surpreendente desempenho de Kaya Scodelario – e tantas outras, terão, seguramente, a sua opinião mas fica a clara ideia que só Ted saberia a resposta.

Tinha sido um dia cansativo. Era bastante tarde.
Mas nem assim perdemos por um momento o foco e o animo.

Bem acima das expetativas!

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