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“Pequenas Mentiras Entre Amigos 2 (Nous Finirons Ensemble)” de Guillaume Canet

Não é que seja necessário ter visto Les Petits Mouchoirs para perceber a história e o sentimento deste Nous Finirons Ensemble, mas quem (ainda) não o viu, dificilmente irá sentir esta sequela na sua plenitude.

Surge quase como um guilty pleasure, uma história estranhamente pessoal que por algum motivo parece realmente nossa. Temos histórias e personagens para todos os gostos e se há característica que separa esta sequela do filme original, é a tendência do enredo para ampliar o seu leque de temas e situações.

Fruto, quiçá, dessa nova abrangência, este Nous Finirons Ensemble é bem mais equilibrado e moderado. Naturalmente o filme não deixa de ter os seus momentos mais intensos, mas longe, bem longe, dos 2 ou 3 picos de emotividade que marcavam, decididamente, o seu antecessor. Mais constante, sempre a bom ritmo, mas algo apressado e mais inconclusivo.

Seguindo a boa norma de Richard Linklater e os seus Before (Sunrise, Sunset, Midnight) fica a clara sensação com o final do filme, que tudo fará bem mais sentido, daqui a uns 8 ou 10 anos quando os protagonistas e o realizador Guillaume Canet se voltarem a juntar em Arcachon para novas divagações sobre a condição humana. Será apenas wishful thinking?

8 anos volvidos, muito mudou. Max (François Cluzet) está separado de Verónique (Valérie Bonneton) e estranhamente chega a Arcachon sozinho, para o início das férias. Marie (Marion Cotilard) é uma mãe solteira com evidentes dificuldades em se adaptar à sua situação enquanto apesar da fama, Eric (Gilles Lellouche) continua sozinho e, agora, com um bebé – e a ama – a braços. Antoine (Laurent Lafitte) tem uma nova profissão e Vincent (Benoît Magimel) um novo amor. Mas há algo que não mudou, pelo menos aparentemente. O início das férias (de Verão) continua a ser em Cap Ferret.

Com ou sem (pequenas) mentiras, a relação entre todos os amigos continua a ser fraterna e preocupada. Os anos passaram, a assiduidade não será naturalmente a mesma, mas os sentimentos permanecem inalterados. Quiçá, ampliados, pela distância, pelo passado, pela ausência.

O argumento de Canet pode não ser tão contundente mas continua certeiro e atual. A trama adensasse, as situações complicam-se (mais não seja pela presença dos descendentes) e é tudo demasiado familiar para não ser levado a sério.

O cinema é fição e imaginação. Mas pode ser, também, o espelho da realidade. Neste caso dos dilemas sociais, familiares e sentimentais de uma geração que nos é tão próxima e familiar…

Sim, há um pouco de nós em cada um dos protagonistas. E só por isso, especialmente para nós, o trabalho de Canet já é meritório e cativante.

Quanto a voltar a Cap Ferret, quem sabe?
Vontade não falta, seguramente!

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