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“Rocketman” de Dexter Fletcher

É inevitável a comparação e a constatação.
Bohemian Rhapsody – vá lá, o filme sobre Freddie Mercury e os Queen que ganhou 4 Oscars em 2019 – condicionou a imagem que te(re)mos deste Rocketman.

Pode parecer incrível mas as histórias de vida de Reginald Kenneth Dwight e Farrokh Bulsara são bem mais semelhantes do que qualquer um de nós poderia imaginar. A fama e o sucesso, as dificuldades em lidar com ambas, a orientação sexual camuflada durante décadas, o consumo de drogas e álcool, a promiscuidade, o exagero, a extravagância e o génio, tocam-se até no timing das suas carreiras.

Haverá, também, algumas diferenças, a maior é que Elton John tem a sorte de ainda estar entre nós. Dito isso, Dexter Fletcher teve a liberdade – e o consentimento do próprio – para contar a História sem grandes eufemismos. De forma totalmente explícita ficamos a conhecer o homem por detrás da lenda… e nem sempre é bonito de se ver.

Talvez por isso mesmo, o realizador de Eddie the Eagle optou por seguir um registo tem mais fantasioso, utilizando as músicas do autor e cantor para retratar o início da sua carreira e os anos loucos da década de 70. Sim, estamos bem mais perante um musical do que outra coisa… e Taron Egerton faz questão de dar o seu melhor!

O jovem ator garantiu mais do que uma vez – e de o provar em diversas aparições públicas – que foi ele próprio a interpretar as canções de Elton John durante todo o filme. Nota bastante positiva para o seu desempenho quer musical quer interpretativo, acima de tudo pela propriedade com que o faz. Temos Elton John no ecrã, mas, também, o contributo de Egerton.

Uma fantasia, é a forma como o filme conta a história de como um jovem tímido e pacato do interior da Inglaterra se tornou num dos mais excêntricos e talentosos artistas da segunda metade do século XX. Mas o caminho teve tanto de brilhante, como de tortuoso… e as suas canções são o melhor reflexo dessa história.

De todos episódios retratados, guardamos especialmente a relação de Elton com Bernie Taupin (Jamie Bell), o seu parceiro musical e autor da larga maioria das letras das suas canções. Se o filme apresenta o verdadeiro artista da infância aos anos loucos da sua afirmação artística é, também, uma sincera homenagem do próprio, ao autor de músicas como Goodbye Yellow Brick Road, Don’t Let the Sun Go Down On Me ou Tiny Dancer.

Tem alguns momentos verdadeiramente fantásticos mas, em especial o 3º ato, arrasta-se um pouco enquanto leva Elton para a beira do precipício. Faltou magia para dar a volta ao texto e catapultar o filme para outro patamar. Ainda para mais quando sabemos que Fletcher foi o escolhido para concluir as filmagens precisamente de Bohemian Rhapsody, após o afastamento de Bryan Singer.

Teremos sequela? Pode parecer estranho, para um biopic, mas se há artista que tem material para isso, é Sir Elton John!

A ver. Vamos!

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