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“Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time in… Hollywood)” de Quentin Tarantino

Avançamos já para Tarantino. Sem ser, necessariamente, pelas melhores razões.

Muito se tem discutido sobre as novidades introduzidas pelo realizador nesta sua 9ª longa metragem, mas estarão nas semelhanças com alguns filmes anteriores o seu tendão de Aquiles.

Sente-se, sem dúvida, a falta dos capítulos, da violência e do humor negro tão característicos do seu cinema. Ao mesmo tempo que se dispensava o mais que previsível desenlace. Quem viu o fantástico Inglourious Basterds não tem muitas dúvidas quanto à forma como o filme vai terminar, e esse clímax que tarda em chegar (e em se justificar) acaba por arrastar o filme durante quase 2 horas.

Pitt e DiCaprio são reis durante essa desequilibrada primeira parte. Os seus Cliff Booth e Rick Dalton são, indiscutivelmente, o que de melhor o filme tem para oferecer. Dois atores que tiverem de subir a pulso nas suas carreiras e que têm neste filme alguns dos seus melhores momentos. Dois atores que (para mais nesta fase das suas carreiras) são bem mais do que duas caras larocas ou figuras bem-parecidas. Há, de facto, trabalho e talento de sobra e Tarantino deu-lhes espaço para comprová-lo.

Infelizmente o fruto destes fantásticos desempenhos não é o mais agradável. O enredo arrasta-se e enrola-se em torno de mais uma (ainda que merecida) homenagem às estrelas de outrora. Os cenários, os diálogos, as roulotes, os duplos, o guarda-roupa e a caracterização. Vemos outra forma de fazer cinema… enquanto nas entrelinhas vamos conhecendo Sharon Tate.

A esposa de Roman Polanski tem em Margot Robbie uma digna intérprete. A australiana faz o que pode com o tempo de antena que Tarantino lhe reservou, acabando por funcionar mais como isco (ou lebre) do que propriamente como protagonista. Já no que diz respeito à homenagem à época de ouro de Hollywood, fica mais uma faceta das estrelas (ou segundas linhas) da indústria que viviam aquém da fama das principais figuras e, portanto, num certo anonimato, impensável na atual era da informação.

O trio partilha a paixão pelo cinema e a mesma rua, Cielo Drive, em Los Angeles. O resto é história, com ‘h’ pequeno.

Tarantino não perdeu, minimamente, a sua arte e engenho. Mesmo sem alguns dos elementos mais característicos da sua obra, percebe-se a mestria do cineasta em cada detalhe, em cada plano em que diálogo. A questão é que ao contrário do que nos habituou, o enredo é pobre, sem chama e a momentos enfadonho. Sem reviravoltas, sem explosões, acabamos por ir adormecendo durante a longa primeira parte. E nem, o fulgurante terceiro ato, salva a narrativa.

Ainda assim, em sintonia com The Artist, Hugo, La La Land ou Birdman, a Academia é apaixonada por filmes sobre os seus. As homenagens aos artistas de outros tempo são invariavelmente louvadas na temporada dos prémios, independentemente do seu apelo mediático, riqueza narrativa ou brilhantismo.

Para nós, foi uma total deceção. Para mais tendo presente a imensa expetativa criada desde a sua estreia, em Maio último, no Festival de Cannes.

Sem tirar qualquer mérito e prestígio aos intervenientes (antes pelo contrário), a soma das partes é BEM superior ao todo.

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