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“Joker” Todd Phillips

Esta não será uma crítica normal, até porque Joker está bem longe de ser um filme normal.

O filme de Todd Phillips parecia poder vir a ser muita coisa que nunca chega a ser, e acaba por ser algo que não aparentava ser. De forma sucinta, é tão simplesmente a história de como um homem (in)vulgar se pode transformar num vilão.

O desconforto, a incoerência e, sobretudo, a inconsistência mantém-nos num estado de alerta e desconfiança permanente. A esquizofrenia que se sente a todo o momento, leva-nos a estados de espírito que, muitas vezes, julgávamos não possuir. Rir em vez de chorar, sofrer em vez de admirar, compreender em vez de repudiar.

E quanto de forma abrupta mas plenamente compreensível, o enredo nos leva até ao seu perfeito desenlace, percebemos que valeu a pena.

É fácil não gostar de Joker. O filme é sombrio, violento, doloroso e deprimente. Está bem longe de levantar o espírito, encher o coração ou preencher a alma. Aliás é plenamente a antítese de tudo isso.
Gostar do filme de Todd Phillips é quase como um guilty pleasure. Não na sua forma metafórica, mas na versão literal da expressão. Não queríamos ter gostado tanto!

Joaquin Phoenix é a personificação de todo filme. O seu Joker – e quem me conhece e acompanha este espaço sabe que nunca o assumiria de forma leviana – é, muito provavelmente, a melhor personificação da personagem dos comics na 7ª arte. O misto de loucura, dor e bravura fazem desta versão do mítico vilão da DC Comics, o mais humano dos 4 (Nicholson, Ledger, Leto, Phoenix). E, contra todos os prognósticos ou qualquer lógica cinematográfica, não conseguimos deixar de sentir uma tremenda empatia e admiração pelo ator e pela sua complexa personificação.
Sinceramente não estou a ver como o ator natural de Porto Rico, possa perder o Oscar (e demais prémios) de Melhor Ator!

Palavra final para Todd Phillips. O realizador da trilogia The Hangover (sim, A Ressaca!) seria o mais improvável dos responsáveis por um filme desta natureza mas, o segredo pode estar em algo bem simples. A Marvel.

Incessantemente referido nas nossas críticas, o realismo é um dos principais atributos de todo o Marvel Cinematic Universe. A forma como grande parte dos super heróis e super vilões do gigante da banda desenhada, são, na 7ª arte, figuras “normais” e humanas, fez com que os fãs facilmente se identificassem com os seus ídolos e os sentissem como um deles.

Arhur Fleck é um sujeito banal. Bem, pelo menos dentro da sua loucura. Mas há medida que vamos conhecendo a sua história, percebemos que, apesar de tudo dificilmente ele podia ser mais humano. Essa humanidade que ele tão bem trata de negar é aquilo que nos prende e deslumbra. Bem até ao último segundo.

Tremendo!

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