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“Judy” de Rupert Goold

Acreditando que era realmente Renée Zellweger – a texana famosa por “You had me at hello” e pela rechonchudinha Bridget Jones – a dar corpo, vida e voz a Judy Garland em Judy, acho que lhe podem entregar já o Oscar de Melhor Atriz e demais prémios dos melhores do ano.

É, de facto, impressionante o que Renée fez. Totalmente ausente por detrás da “máscara”, a atriz desaparece para dar lugar a uma figura ímpar da história do cinema. Judy Garland é, seguramente, uma das principais artistas do século XX, mesmo que tenha partido com apenas 47 anos, há 50 anos.

Se a carreira da menina-mulher atriz se confunde com o próprio cinema – ao longo de mais de 30 anos – a personagem incarnada por Renée é inegavelmente um mito, uma figura transcendente que tem tanto de diva, como de frágil. O filme conta a sua história – ou parte dela – mas nós estamos constantemente perdidos na sua protagonista.

Chega a ser desconcertante, especialmente quando percebemos que o próprio filme se deixa perder, de tanto admirar a sua diva. Não há muito a acrescentar ao seu desempenho irrepreensível e magnânimo, já quanto ao filme temos uma ou outra questão a abordar.

Primeiro as semelhanças com Film Stars Don’t Die in Liverpool. Quem viu o biopic protagonizado por Annette Bening, pode confirmar que a história tem a incrível tendência para se repetir. Gloria Grahame e Judy Garland tiveram percursos naturalmente distintos mas as semelhanças na sua trajetória pessoal são inegáveis.

O que torna o filme de Rupert Goold inegavelmente superior é o discernimento de recuar no tempo, para explicar como Frances Ethel Gumm se tornou Judy Garland… e, em especial, o preço que uma ainda adolescente “pagou” para ser Dorothy. A história por detrás da História, já é per si, motivo mais do que entusiasmante para conhecer este Judy, mas a forma como o passado se interliga com o “presente” mantém-nos presos até ao último suspiro.

E, depois, voltamos a Garland. Ou melhor a Zellweger. 16 anos depois do Oscar de Melhor Atriz Secundária (por Cold Mountain) a atriz parece não ter competição, este ano, na categoria de Atriz Principal.
Porque se ser ator, ou atriz neste caso, reside na capacidade para encarnar outra pessoa, este desempenho corresponde na perfeição a esse desiderato!

Renée vale facilmente o preço do bilhete.
E Judy seria a própria definição de mito.

Na prática é um 2 por 1!

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