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“Os Órfãos de Brooklyn (Motherless Brooklyn)” de Edward Norton

Que Edward Norton é um fantástico ator já todos sabíamos. Os seus dotes de realizador e argumentista começam, agora, a florescer!
Em boa verdade, Norton já se tinha estreado na realização em 2000, com o simpático Keeping the Faith, mas este Motherless Brooklyn é, inegavelmente, outro patamar.

Film noir, inteligente e desafiador, a segunda obra atrás das câmaras do ator de Fight Club ou American History X, é um enorme exercício de intriga e descoberta que prende como poucos!

Chegamos a New York, nos anos 50, uma era em que a Máfia controlava as ruas, as casas, a política e os negócios. Mais ou menos como acontece ainda hoje, apenas com outro nome!

A diferença é a vibração que se sente. O início de uma era, no pós II Guerra Mundial, em que tudo estava à disposição e em construção. Palco perfeito para uma daquelas tramas que está tão enleada que não basta puxar apenas uma das pontas do fio filme.

Mas antes disso tudo, Edward Norton é Lionel Essrog. Lionel sofre, por simplificação, de uma espécie de autismo que lhe permite memorizar frases e imagens, mas que o mantém refém de uma voz que o controla e se exprime espontaneamente e sem filtro. (Mais) Um trabalho primoroso do ator, a lembrar os tempos de Primal Fear, e que funciona como um bónus num filme recheado de pequenos e grandes feitos.

O maior resulta do romance de Jonathan Lethem. Uma adaptação que permite à história evoluir sempre de forma coerente e inteligente. Nós, tal como o protagonista, vamos avançando paulatinamente, sem perceber ao certo onde cada rua nos leva, mas com a certeza que por cada beco sem saída, uma porta se abrirá.

Por vezes, obviamente mais perto do final, ficamos até sem perceber ao certo o que aconteceu, mas contentes pelo resultado global. Questões e descobertas, sobretudo de menor relevância, não ficam tão bem esclarecidas quanto o que seria desejável, mas não são mais do que pequenos buracos, numa larga avenida. Às vezes tropeçamos mas, nada que (nos) tire o equilíbrio.

Lionel (Norton) é um bom rapaz, atormentado por uma condição desconfortável e, por vezes, embaraçosa. O seu mentor, o detetive privado Frank Minna (Bruce Willis), reconhece nele uma fidelidade e perspicácia invulgares, mas quando acaba assassinado após um encontro de negócios, deixa a Lionel um monte de perguntas por responder. Na procura por respostas, Lionel mergulha num violento e perigoso esquema de interesses e favores que o levará até ao topo da pirâmide.

Inevitavelmente, deixar o merecido destaque ao talentoso elenco de atores que acompanha o protagonista, com especial destaque para Gugu Mbatha-Raw, Williem Dafoe e Alec Baldwin.
Com propósitos e relevâncias distintas, cada um deixa a sua marca, num filme e, sobretudo, numa história que merece ser vista no grande ecrã.

Do primeiro, ao último minuto!

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