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“Que Mal Fiz Eu a Deus Agora? (Qu’est-ce qu’on a encore fait au Bon Dieu?)” de Philippe de Chauveron

Seria quase impossível exigir mais e melhor depois do massivo sucesso alcançado por Qu’est-ce qu’on a fait au Bon Dieu?.

Não foi apenas o mega sucesso de bilheteiras em França – e, também, em Portugal. Era um argumento super inteligente e divertido que colocava o dedo na ferida e fazia rir como poucos. O preconceito, o estigma, os clichés, o sarcasmo e a autocrítica. Tudo condensado numa família tipicamente francesa!

A sequela seria apenas uma questão de tempo. Material não faltaria certamente. Seria apenas uma questão de encontrar o motivo (narrativo) para o fazer. E nesse capítulo, Philippe de Chauveron fez o seu papel.
O que seria pior para um pai do que ver as suas 4 filhas casaram com 4 cavalheiros de origens e convicções bem distintas? Elas e os seus netos (e genros) emigrarem!

É esse ponto de partida de um argumento que, pelo meio, vai introduzindo novas ambiguidades ao quotidiano da família Verneuil.
Todo o elenco do primeiro filme está de regresso para aprofundar afetos e piadas. Naturalmente há uma evolução no humor e nos problemas, mas há, também, um tom mais paternalista que soa a bajulação além fronteiras. Muitas verdades são ditas, outras tantas estão implícitas e a expressão à la campagne voltará a estar na ordem do dia… mais para o final do filme.

Christian Clavier e Chantal Lauby continuam a formar o casal Verneuil e se no primeiro filme eles eram sobretudo os recetores das novidades, desta vez assumem uma posição bem mais proativa mas, também, humorística. Mais do que anteriormente, são eles decididamente o epicentro desta história, para benefício do espetadores, sobretudo franceses.

Esse desenlace, algo amorfo e narcisista, rouba alguma inocência e crédito ao filme, apostando numa mensagem mais prosaica em detrimento do tom mais descontraído que se impunha.

Não que isso retire qualquer doçura ao filme. Por entre alguns momentos previsíveis ou outros mais secos, temos uma panóplia de piadas de rir… e chorar por mais.

É esse o principal condão da comédia francesa. Mesmo quando não chega a ser transcendente, continua a ser muito bom.

E foi.

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