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Em janeiro, nos cinemas…

Nem só de “filmes dos Oscars” vive o mês de janeiro, nas salas de cinema nacionais. Mas quase! Há grande filmes à nossa espera e um ou dois regressos de fazer chorar por mais.

Começamos com um dos mais fortes candidatos para esta temporada dos prémios, aparentemente o único capaz de rivalizar com os dois pesos pesados da Netflix, Marriage Story e The Irishman, na disputa pelo estatuto de Melhor do ano. Depois da dupla experiência ao Serviço de Sua Majestade, Sam Mendes volta ao cinema mais contundente recuperando a pouco cinematográfica I Guerra Mundial para a 7ª arte. 1917 é um retrato cru e sucinto da denominada “Guerra das Trincheiras”, uma era profundamente distinta da nossa, mas, também por isso, altamente cativante. George MacKay e Dean-Charles Chapman protagonizam esta luta contra o tempo, quando dois soldados rasos são incumbidos de entregar uma mensagem vital, mesmo que isso os obrigue a atravessar campos de batalha devastados e imprevisíveis.

Continuamos com histórias verídicas, mas seguimos para a II Guerra Mundial, com o primeiro dos dois filmes deste artigo a abordar esse episódio inolvidável da História recente (mesmo 80 anos volvidos). Terrence Malick é o realizador deste A HIDDEN LIFE, um filme introspetivo que aborda temas tão complexos como a objeção de consciência, o impacto do nazismo na sociedade alemã ou o Amor. O estilo narrativo do realizador de The Thin Red Line ou The Tree of Life não é seguramente para todos os gostos, mas isso não retira nenhum do reconhecido brilhantismo de um realizador ímpar… especialmente quando tudo indica estarmos perante um filme bem mais consensual.

Seguimos, para um dos regressos saudosistas que este mês de janeiro nos reserva. Mike Lowrey e Marcus Burnett, respetivamente Will Smith e Martin Lawrence, voltam ao grande ecrã, 25 anos depois de terem iniciado o seu explosivo percurso. BAD BOYS FOR LIFE recupera o espírito (bem-humorado) e a ação (eletrizante) dos dois filmes anteriores, agora pela mão da dupla de realizadores belga, Adil El Arbi e Bilall Fallah. Está, naturalmente, prometido um ótimo entretenimento. Falta apenas saber até que ponto o filme consegue trazer para a terceira década do século XXI, uma das duplas mais icónicas da história do cinema de ação. Depois de Aladdin, Gemini Man e da animação Spies in Disguise, Smith parece estar decisivamente de volta às luzes da ribalta. So far, so good.

Voltamos à temporada dos prémios, com o mais recente projeto de Jay Roach. Reconhecido realizador de comédias mais ou menos atrevidas, o realizador do New Mexico já tinha mudado de registo com Trumbo, em 2015, e agora prepara-se para explodir! BOMBSHELL é um daqueles filmes acontecimento. Baseado na bombástica história verídica em torno dos comportamentos pouco recomendáveis de Roger Ailes, na altura CEO do canal Fox News, cujo desenlace marcou, em definitivo, a luta contra o assédio sexual nos EUA. Protagonizado por 3 senhoras da representação: Charlize Theron, Nicole Kidman e Margot Robbie, o filme conta ainda com John Lithgow, no papel de Ailes, para além de Allison Janney, Kate McKinnon ou Mark Duplass. Vai explodir!

Dos destaques deste mês é o único que já tivemos o prazer de ver. Um filme estrondoso que segue em crescendo do primeiro ao último minuto, num retrato duro e cruel da realidade que nos rodeia. Em DARK WATERS, Mark Ruffalo é Robert Bilott, um advogado ao serviço das grandes corporações do setor químico que processa um dos seus (potenciais) clientes quando descobre um extenso histórico de comportamentos perniciosos e arrogantes cujos dados foram/são de uma gravidade indescritível. Todd Haynes (Carol, I’m Not There) dá a Ruffalo um dos melhores desempenhos do ano, e vice-versa, com uma História que demonstra o quão enganados andamos neste Mundo. Um filme a roçar o documentário que não deixará ninguém indiferente, num misto de incredulidade e revolta, mas, igualmente, alguma esperança.

Seguindo na senda dos Avengers, Robert Downey Jr.. É o outro grande regresso deste mês, num filme totalmente em contra-programa com a maioria das estreias que chegam às nossas salas de cinema. E a única comédia. Reboot da personagem imortalizada por Eddie Murphy em torno do anos 2000, esta versão parece algo mais séria e respeitável, não deixando nunca de ser um despretensioso filme para toda a família. Recheado de vozes conhecidas, o filme de Stephen Gaghan (argumentista de sucessos como Traffic ou Syriana) conta ainda com a presença de Antonio Banderas e Michael Sheen. DOLITTLE promete confirmar o talento nato de Downey Jr. para qualquer género cinematográfico e, quem sabe, dar início a um novo franchise de muito sucesso.

Foi um dos grandes filmes no mais recente Festival de Veneza. Um dos grandes filmes franceses deste último ano. Quem sabe da década. J’ACCUSE é realizador por Roman Polanski e recupera a infame história verídica que abalou o regime francês em finais do século XIX. Alfred Dreyfus, um capitão do exército francês, é erradamente condenado por traição e sentenciado a prisão perpétua. Até que o Coronel Georges Picquart encarrega-se pessoalmente do caso. Jean Dujardin e Louis Garrel protagonizam esta história de (in)justiça, patriotismo e revolução. Intrigas (palacianas) à parte, Polanski está de regresso aos grandes momentos. A não perder!

É seguramente o mais desconcertante, imprevisível e out of the box filme desta temporada dos prémios. Taika Waititi, o idolatrado realizador de Thor: Ragnarok, é o realizador de JOJO RABBIT. E é Adolf Hitler, também. O filme recupera a sempre magnânima II Guerra Mundial, desta vez pelos olhos de uma criança alemã que descobre que a sua mãe esconde uma menina judia, no sótão da sua casa. Mas a verdadeira questão é que Jojo tem um amigo imaginário. O próprio Hitler. Comédia intensamente negra, o mais recente filme do realizador neozelandês tem conquistado o público e a crítica pela audácia e inteligência com que aborda um tema tantas vezes retratado na 7ª arte. Para além do jovem Roman Griffin Davis, e do próprio realizador, o filme conta com Scarlett Johansson, Sam Rockwell e Rebel Wilson nos principais papéis. Deixem-se perder…

Desta vez, não é só o enquadramento que é autêntico. Voltamos às histórias verídicas, daquelas com conteúdo, impacto e dimensão. JUST MERCY é uma história de perseverança, injustiça e superação, na forma mais contundente possível. Michael B. Jordan é Bryan Stevenson um advogado defensor dos direitos humanos que, no início da sua carreira, optou por rejeitar os famosos escritórios de advogados, para abraçar a sua missão de vida, ao rumar ao Alabama para defender aqueles erradamente condenados. Estávamos nos anos 80, o racismo, a preconceito e a corrupção no sul dos EUA era algo sistémico e poderoso. Um filme poderoso e desconfortável que conta ainda com os desempenhos de Jamie Foxx, Brie Larson e Tim Blake Nelson.

Greta Gerwing foi nomeado para dois Oscars (Realizadora e Argumentista) com a sua primeira experiência atrás das câmaras. Lady Bird, um filme ligeiramente autobiográfico encantou uma nova geração de cinéfilos e confirmou o talento imenso da jovem atriz. LITTLE WOMEN é em tudo diferente. É verdade que Saoirse Ronan permanece no papel de protagonista – e que volta a perder-se de amores por Timothée Chalamet – mas a centenária história de Louisa May Alcott, mesmo com uns toques de Gerwing, é mais do que conhecida do grande público. Porém, só se ouvem elogios acerca desta nova adaptação, ao ponto do filme se estar a posicionar para uma longa temporada dos prémios. Este novo grupo de mulherzinhas conta ainda com Emma Watson, a estrela em ascensão Florence Pugh (Cats) e Eliza Scanlen, para além dos veteranos Laura Dern, Meryl Streep e Chris Cooper. Seguramente um dos filmes que mais curiosidade temos em ver, este mês!

A verdade é algo complexo. E a velocidade com que se pode ir de herói a vilão na vida real é quase a mesma da ficção! Richard Jewell trabalhava como segurança durante os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996. Uma pessoa totalmente banal que de um dia para o outro se tornou numa figura mediática ao evitar um atentado à bomba em pleno Parque Olímpico. Isso é parte da história, a outra versão, a cargo da imprensa e do FBI, apresenta Richard como um potencial terrorista. Está lançado o mote para a mais recente obra do imortal Clint Eastwood. O realizador de um sem número de sucessos à escala global, aborda, desta vez, uma temática muito norte-americana e pode muito bem ter transformado por completo a carreira de Paul Walter Hauser (os mais atentos podem-se recordar dele de I, Tonya). Referência, também, para a presença de Sam Rockwell, Jon Hamm e Olivia Wilde e para a veterana Kathy Bates que tem recebido os melhores elogios. Temos filme, obviamente!

Fechamos em tom de despedida, com THE FAREWELL. Filme sensação do Festival de Sundance de 2019 (em janeiro!), a obra de Lulu Wang percorreu um longo caminho até chegar (presumivelmente) à noite dos Oscars. A história é simples e diz muito da cultura asiática, nomeadamente chinesa. Uma família ao ser informada da doença terminal da sua matriarca, organiza um casamento- relâmpago de forma a que todos se possam despedir dela, sem lhe revelar o seu verdadeiro estado de saúde. A atriz e rapper Awkwafina protagoniza esta comédia dramática naquele que promete ser um dos mais sinceros, emocionantes e divertidos filmes desta temporada dos prémios. E é baseado numa história verídica, da família da própria realizadora.

1917, Uma Vida Escondida, As Aventuras do Dr. Dolittle, Tudo Pela Justiça, O Caso de Richard Jewell e A Despedida são distribuídos pela NOS Audiovisuais.
Bad Boys Para Sempre, Mulherzinhas e Jojo Rabbit são distribuídos pela Big Pictures Films.
Bombshell – O Escândalo e Dark Waters – Verdade Envenenada são distribuídos pela Pris Audiovisuais.
J’Accuse – O Oficial e o Espião é distribuído pela Midas Filmes.

Temos uma surpresa para os mais atentos, na forma de um Passatempo-relâmpago!
Estamos a oferecer 1 convite duplo para a antestreia de O INFORMADOR, DARK WATERS – VERDADE ENVENENADA ou UMA VIDA ESCONDIDA, para o primeiro a responder por email (para geral@docesousalgadas.pt), juntamente com NOME COMPLETO e Nº BI com a resposta à seguinte questão: Quantas estreias deste mês de janeiro são destacadas neste artigo?
Boa sorte!

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