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“1917” Sam Mendes

1917 é uma daquelas obras(-primas) que antes mesmo de ser filmado, já era um filme grandioso.

Sam Mendes optou por filmá-lo apenas com uma câmara, colocando o espetador ao lado dos protagonistas, bem no centro da ação, do drama e do horror de uma Guerra suja, violenta e amplamente irracional.

Eram decididamente outros tempos. Sem grande tecnologia, informação ou estratégia, as batalhas, movimentações ou decisões viviam de impulsos, muitas vezes infundados ou tresloucados.

Dito isto, a dupla de protagonistas é seguida pela câmara de Mendes e por todos os espetadores, com a máxima tensão e atenção! Mas para tudo sair na perfeição, foi necessário um longo processo de produção, a uma escala extraordinária.

Todos os cenários foram criados e estudados até à exaustão, de forma garantir a autenticidade necessária. Nada é deixado ao acaso e a sensação de autenticidade e realismo é tão poderosa que fica a clara sensação que estamos lá, bem perto, a assistir a tudo.

O objetivo era bem claro. Sam Mendes queria fazer um filme grandioso, a partir de uma ideia (ou história) simples e linear. E superou as expetativas!
Para o fazer o realizador inglês baseou-se nas memórias do seu próprio avô, para um retrato preciso e doloroso da I Guerra Mundial.

O motor da História é tão simples como a de dois mensageiros que têm de atravessar território inimigo para entregar uma mensagem que pode salvar milhares de vidas. Ao longo do seu percurso Schofield (George McKay) e Blake (Dean-Charles Chapman) irão deparara-se com muitas das histórias que ajudaram a formar o imaginário comum de uma era distinta. De uma Guerra maldita. De uma existência quase macabra. De um heroísmo sem louvor ou proveito.

E é tudo feito com uma qualidade irrepreensível.

Pode-se até questionar (ou ter diferente opinião) quanto ao Oscar de Melhor Filme – por exemplo os inéditos no nossos cinemas The Irsishman ou Marriage Story, ou até Joker – mas quando se discute as categorias ditas técnicas, não há melhor. (ponto)

Sam Mendes, Roger Deakins, Dennis Gassner e Lee Sandales e a equipa de Efeitos sonoros, devem ter mais ao menos garantidos os Oscars de Realizador, Fotografia, Design de Produção e Som. Pelo menos.

1917 parece um daqueles filmes feitos a pensar nos Oscars. E o que faz é simplesmente fantástico!

E porquê?
Porque Sam Mendes pega numa História que todos nós já conhecemos e dá-lhe o seu cunho pessoal. Ainda que em bem menor escala que a sua sucessora, a I Guerra Mundial já teve a sua quota parte de grandes sucessos do cinema mas nunca um que nos tenha colocado tão perto da ação.

Propositadamente, Mendes filma tudo apenas com uma câmara e nós passamos 2h a esticar o pescoço para as extremindades da tela na ânsia de saber mais, de antecipar a próxima surpresa, de perceber o que nos rodeia.

Com uma humanidade, um realismo e uma harmonia que nos desarma e vicia.

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