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“Especiais (Hors Normes)” de Olivier Nakache e Éric Toledano

Não sei bem até que ponto Hors Normes pode ser considerado um filme (e não um documentário ficcionado), mas a mensagem é de uma profundidade retumbante.

Para mais uma altura em que a solidariedade e a preocupação pelo próximo está mais do que na ordem do dia, este retrato de alguém que vive para ajudar os outros, ainda para mais de forma tão abnegada e extraordinária é, de facto, uma lição de vida.

Há efetivamente heróis, na vida real!

Depois de Intouchables, Samba e Le Sens de la Fête, a dupla Nakache e Toledano volta a acertar na muche, com um filme visceral e singelo, mas de uma grandeza moral inqualificável. Cinematograficamente, o filme pode não ter a dimensão global – na conjugação de elementos como humor, ação, drama ou romance – de outros filmes, mas a emocionalmente Hors Normes é daqueles obras que desmonta qualquer um.

Preciso, coerente e autentico, o filme conta uma, ou várias, histórias incríveis de superação e dedicação, para mais num cocktail quase explosivo de emoções. Casos sérios – nalguns casos violentos – de autismo. Casos sérios – quase irremediáveis – de delinquência juvenil.

São duas instituições que unem esforços por um mundo (nem que seja um bocadinho) melhor. Jovens, e não só, com graus profundos de autismo que nem mesmo as instituições oficiais aceitam nas suas instalações (como hospitais e unidades de cuidados continuados) e jovens sem emprego e sem estudos, muitas vezes já com cadastro a quem é dada uma última oportunidade para refazer a vida.

Vincent Cassel e Reda Kateb são os protagonistas do filme, recriando duas figuras verídicas que dedicam a sua vida a ajudar os outros. Para além de uma bela amizade Bruno e Malik, partilham um propósito. Ajudar o próximo, ainda para mais da forma mais peculiar possível. Jovens (quase) delinquentes a cuidar de autistas profundos. Pode parecer demasiado estranho, mas só até vermos Hors Normes.

A mensagem é profundamente marcante e emotiva. Tão real ao ponto de facilmente sentirmos o peso insustentável do trabalho desenvolvido e não termos palavras para descrevê-lo. Só vendo.

Uma fantástica homenagem a esta dupla e ao seu raison d’être.

Um filme que merece chegar a todos.

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