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“J’Accuse – O Oficial e o Espião” de Roman Polanski

Em noite de Césars (pelo menos à altura em que a crítica foi escrita), nada mais apropriado do que seguirmos com um dos grandes vencedores da noite.

Les Misérables pode ter ganho o galardão de Melhor Filme (para além do de Melhor Montagem e Ator Revelação) mas Roman Polanski e o seu J’Accuse – mesmo perante toda a polémica em redor do realizador polaco – saíram da Salle Pleyel com a clara sensação de dever cumprido! Mesmo que o realizador e argumentista não tenha marcado presença na cerimónia. Mas isso, será assunto para outra análise.

Os prémios de Melhor Realizador, Argumento Adaptado e Guarda-Roupa resumem com aprimorado rigor os principais atributos de um filme que tem tanto de histórico como de atual.

Polanski recupera a história verídica de Picquart e Dreyfus, um dos maiores escândalos políticos e judiciais da história moderna francesa, quando um capitão do exército francês foi erroneamente acusado de espionagem.

Louis Garrel é Alfred Dreyfus. Uma das principais estrelas do cinema francês que “dá o corpo ao manifesto” transfigurando-se totalmente para interpretar o jovem capitão. De forma contida, explosiva e marcante.

Porém, acaba por ser Jean Dujardin o protagonista do filme. Na pele do Coronel Georges Picquart, o oficial do exército que no seguimento do julgamento de Dreyfus assume a chefia dos Serviços Secretos franceses e, eventualmente, acabará por liderar a investigação que expõe as lacunas da acusação contra o capitão. Entre o cepticismo e o profissionalismo do Oficial, a escalada de tensão e de intriga política retrata uma sociedade pérfida e perdida.

A verdadeira questão é “até que ponto algo, verdadeiramente, mudou?”

De qualquer forma, um intenso filme de época que demonstra toda a vitalidade do cinema francês, capaz de um tremendo trabalho de produção e direção artística ao nível do melhor que se faz no mundo inteiro. E logo com uma história que diz tão à cultura (e sociedade) francesa.

Para quem não está tão familiarizado com os detalhes da história, o filme preocupa-se em manter o mistério e a incerteza do seu desenlace, até, literalmente, à última cena. Para além de ir completando o enredo com pequenos detalhes/momentos que agregam valor e permitem ter uma visão mais abrangente de um era – o virar do século XIX para o XX – bastante marcante na História francesa.

Polanski assina, seguramente, um dos filmes do Ano, não só pelo retrato social e político mas, sobretudo, pela sua primeira e pela sua última cena.

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