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“O Caminho de Volta (The Way Back)” de Gavin O’Connor

Será praticamente impossível dissociar o filme, da época que vivemos.

Mais do que qualquer receio, a antestreia esteve, mesmo antes de começar, envolta numa estranha sensação de saudade e (in)certeza. A certeza que seria necessários vários (muitos??) dias para voltarmos. Entretanto passaram-se 80 dias, sem Cinema. Tempo suficiente para dar a Volta ao Mundo, segundo Jules Verne.

Finalmente, o Mundo Voltou, ou pelo menos assim parece. E nada será mais adequado do que terminar este hiato, como tudo começou.

Voltamos a Março de 2020. Ben Affleck volta a protagonizar um filme às ordens de Gavin O’Connor, 4 anos depois de The Accountant. O filme vem disfarçado de drama desportivo, sobre uma equipa de basquetebol escolar a precisar de um líder fora das 4 linhas.

Mas, na verdade, o filme é sobre Jack Cunningham, um alcoólico incapaz de superar os seus pecados e traumas que encontra naqueles miúdos um motivo para reconstruir a sua vida. Ou pelo menos, tentar.
Paulatinamente vamos conhecendo Jack e os seus pupilos, mas há sempre algo por detrás de cada revelação. A vida real, não é sempre a preto ou branco.

Naturalmente que os apreciadores de basquetebol e de desporto em geral, terão uma maior empatia para com o filme. Os valores, os duelos, as dúvidas, as inseguranças e, sobretudo, a camaradagem e a cumplicidade, retratadas no filme são inteiramente autênticas. É algo que apenas o desporto coletivo, e nomeadamente juvenil, “ensina” para a vida.

Se a esse nível o filme cumpre perfeitamente a sua função, poucos estariam à espera dos outros caminhos pelos quais o filme se aventura. À imagem do que também acontecia em Warrior, Gavin O’Connor aproveita o enredo “principal” para explorar outras emoções.

Se o Homem é a amálgama das suas experiências, Jack Cunningham é um trapo. Retalhado, imperfeito e perdido. A bebida foi a única resposta que encontrou, até voltar a tocar na laranjinha. O caminho será longo, e mesmo que nunca chegue a ser transcendente, é mais do que suficiente para fazer um filme bastante interessante.

Consta que Affleck aproveitou o filme, e a sua personagem, para um processo de autocontemplação.
E nota-se.

Porque o Cinema também é isso.

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