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Em julho, nos cinemas…

Depois de um longo hiato de três meses, voltamos à nossa rubrica mensal que destaca os principais filmes a estrear nas salas de cinema nacionais.
E há duas formas de encarar a situação. Assumir que de hoje até dia 31, podem ser mais as alterações do que as estreias que se mantêm, ou não fazer a antevisão.

Pois bem. Antes de começar, uma nota prévia. Com estreia marcada para o mês de março e adiada até junho, MY SPY foi o primeiro filme dito “comercial” a aventurar-se no mercado nacional. Naturalmente inconsequente e leviano, é daqueles filmes que, arriscamo-nos a dizer, faz mais sentido no atual contexto, do que teria numa situação normal. Cinema ligeiro, descontraído e bem humorado, a obra de Peter Segal tem o condão de permitir desligar do mundo, mesmo que durante meros 99 minutos, e sentir uma paz de espírito que transmite a normalidade possível. Dave Bautista, assume as despesas da história, num daqueles papéis que habitualmente os calmeirões elegem para desanuviar do intenso mundo do cinema de ação mais duro e cru. E cumpre, sem surpresas, a sua função.

Com o adiamento dos blockbusters para agosto (em alguns casos para o Outono, ou mesmo para 2021), escasseiam grandes referências neste mês de julho, mas isso não quer dizer que não tenhamos grandes estrelas no Cinema. A maior é… ZÉ PEDRO – ROCK’N’ROLL. O guitarrista e um do fundadores dos Xutos & Pontapés, que nos deixou precocemente em 2017, é o foco central do documentário de Diogo Varela Silva. Uma das figuras míticas da cultura nacional, Zé Pedro deixou decididamente a sua marca não só na música, mas na sociedade de um país que ajudou a moldar, do fim da ditadura até aos dias de hoje. É uma oportunidade para ficar a conhecer na primeira pessoa, algumas daquelas histórias lendárias que todos (des)conhecemos. X

Já que estamos numa onda musical, THE HIGH NOTE. O filme de Nisha Ganatra (Late Night) revolve em torno de uma diva da música, com evidentes problemas de excesso de autoestima, e da sua incansável assistente que deparam-se com um momento que pode mudar a vida de ambas. A prometer uma fantástica sonoridade, ou não contasse com Tracee Ellis Ross (filha da lendária Diana Ross) como autora e interprete da banda-sonora, o filme promete embalar os espetadores numa mistura de uma história melosa e uma melodia delicada. Destaque, também, para Dakota Johnson que depois do mediatismo alcançado por 50 Shades of Grey tem direcionado a sua carreira para um cinema mais jovial, com uma série de filmes bem adocicados, tirando partido da típica imagem de “namoradinha da América” que tanto sucesso gracejou às suas antecessoras. Em suma, Cinema mais do que adequado para a conjetura atual.

Mantemos o tom, para o rei da comédia do mercado francófono. E, sejamos honestos, um dos grandes comediantes para atualidade no Cinema à escala mundial. Dany Boon é o protagonista desta história rocambolesca sobre um agente (super-)secreto que se “infiltra” num hospício para uma nova missão… ou é apenas um maluquinho com ilusões de grandeza. LE LION promete as habituais gargalhadas sonoras que Boon tão recorrentemente nos presenteado, mesmo que haja uma incrível (para os dias de hoje) incógnita em torno do enredo e, sobretudo, da sua coerência e pertinência. Já a boa disposição, essa parece mais do que garantida!

Vamos mudar de registo. Suspense, Crime, Drama, Mistério, THE NIGHT CLERK. Durante a noite, num motel de beira de estrada, muito acontece. Bart Bromley tem uma visão privilegiada dos acontecimentos, até que se torna no principal suspeito de uma assassinato ocorrido no hotel. Tye Sheridan continua a ser um dos mais promissores atores da sua geração, mas tarda em confirmar todas as expetativas, apesar na presença regular em filmes bem cotados como Ready Player One ou a saga X-Men. Para além do jovem ator, o filme de Michael Cristofer conta ainda com Ana de Armas (que continua em TODO o lado), Helen Hunt e John Leguizamo.

Mantemos a tensão em alta, ainda que desta vez num mundo bem mais perigoso. A sinopse oficial refere que “uma mulher é recrutada pela Mossad para trabalhar em Teerão”. Falta apenas completar – pelo menos no que é dado a conhecer pelo trailer – que “a mulher decide desaparecer do radar”. Essa mulher é Diane Kruger, a mais internacional das atrizes alemães da atualidade, e uma atriz de mão cheia. Mas não vem só. Martin Freeman e o canadiado Cas Anvar chegam-se à frente, respetivamente como o contacto e o alvo da espia. Alta tensão e alta traição, num filme que remexe um pouco do habitual status quo do terrorismo e mundo da espionagem na 7ª arte, deixando antever que pouco ou nada é exatamente como aparenta ser em THE OPERATIVE.

Continuamos nesse fascinante sub-mundo da espionagem, mas alterando o epicentro da ação do Médio Oriente para as Caraíbas. O francês Olivier Assayas aborda um dos tabus – pelo menos na cinematografia norte-americana – mais incompreensíveis do cinema do género. As relações (secretas) entre Cuba e os EUA, dos tempos da Guerra Fria até aos dias de hoje, tem seguramente uma longa lista de histórias por revelar. Este WASP NETWORK tem ainda o condão de juntar um elenco (latino) de grande atratividade que só por si já justifica o preço do bilhete! Penélope Cruz, Edgar Ramírez, Gael García Bernal, Ana de Armas (mais uma vez!!) e Wagner Moura protagonizam um filme que fez o percurso completo de festivais (Veneza, Toronto, Deauville, San Sebastien, New York), antes da pandemia ter condicionado a sua estreia comercial. Mas tem algo.

Depois das doenças comportamentais e da espionagem, segue-se o racismo. Longe de querer retirar qualquer relevância ao atual movimento de luta pela desigualdade racial, antes pelo contrário, este BURDEN não podia estar mais na ordem do dia. Inspirado em factos verídicos o filme acompanha o longo caminho de um membro do Ku Klux Klan em busca de redenção. Para a ajudar, Mike (Gartett Hedlund) irá contar com a o precioso auxílio de um Reverendo negro (Forest Whitaker) que crê piamente na bondade do ser humano, quanto motivado para tal. Após uma estrondosa estreia no Sundance Film Festival, a obra de Andrew Heckler foi seguindo o seu percurso e chega, na hora certa, ao nosso país. Mas não será, necessariamente, “coisa fácil de digerir”. E ainda bem!

Fechamos a antevisão, numa nota bem mais ligeira e positiva. Voltamos às histórias verídicas uma menina e um cavalo. RIDE LIKE A GIRL conta a história da primeira mulher a ganhar uma das mais famosas corridas de cavalos na Austrália. Para além da evidente história de superação e de alerta social, o filme promete elevar o espírito e demonstrar que sonhar é o primeiro passo para reescrever a História. Teresa Palmer e Sam Neill protagonizam o filme de estreia da atriz australiana Rachel Griffiths. Da nossa parte, a habitual atração por este tipo de filmes que, não querendo reescrever a história do Cinema, são uma ótima companhia para uma qualquer matiné de sábado.

Nota final para MILITAYR WIVES, que foi algo de destaque no nosso artigo de março e que chega, agora, aos cinemas nacionais.

Zé Pedro Rock’N’Roll, Agente Super-Secreto, Correr por um Sonho, Wasp Network – Rede de Espiões e Military Wives – Mulheres de Armas são distribuídos pela NOS Audiovisuais.
Burden – A Redenção é distribuído pela PRIS Audiovisuais.
O Rececionista, A Nota Perfeita e O Meu Espião são distribuídos pela Cinemundo.
The Operative – Agente Infiltrada é distribuído pela Films4You.

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