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“Wasp Network – Rede de Espiões” de Olivier Assayas

Há uma inequívoca saudade por voltar a entrar numa sala de cinema, sem saber bem o que nos espera.

Olivier Assayas parece compreendê-lo melhor que ninguém, e mesmo correndo o sério risco de deixar os espetadores perdidos com algumas opções narrativas, acaba por nos permitir uma experiência tão invulgar, quanto reveladora.

Está longe de ser surpreendente que um filme sobre espiões cubanos a operar nos EUA seja da responsabilidade de um realizador e argumentista francês. Da mesma forma que é evidente o desconforto norte-americano com esta história verídica, é louvável que a mesma possa ter direito a um retrato o mais imparcial possível.

A isso junta-se um elenco latino de altíssimo nível. Edgar Ramirez, Penélope Cruz, Wagner Moura, Ana de Armas e Gael Garcia Bernal dão corpo ao contingente cubano que desafiou a lógica mundial… ou pelo menos a lógica cinematográfica a que estamos habituados.

Voltando à História, viajamos até ao início da década de 90. Com a queda do Muro de Berlim e o desabamento do poderio soviético na geopolítica internacional, Cuba tornou-se num espaço bastante apetecível para uma (nova) revolução. E, de um lado e do outro da barrica – i.e. castristas e anticastristas – a informação passou a ser sinónimo de evidente poder. Ou seja, espionagem.

Habituados aos filmes sobre o período da Guerra Fria ou da Guerra ao Terrorismo é, honestamente, fascinante perceber que os agentes secretos continuam a ser uma figura habitual e universal. Mais cativante é perceber que a sua função não se fica meramente pela “produção de relatórios” ou pela visão mais romântica (ou cinematográfica) da profissão, nomeadamente, tiroteios, perseguições e engenhocas. Há um meio termo. Real, imprevisível, árduo.

Wasp Network é, simplesmente, um grande filme. De espiões.

Ramirez e Moura desempenham o papel de dois oficiais cubanos que procuram asilo político nos EUA. Cada um com o seu percurso distinto, une-nos o desejo de uma vida diferente em solo americano, para além de ser o seu país mudar. Mas, retrato fiel da vida, nem tudo é preto ou branco, que o digam Penélope e Ana, a desempenhar o papel das suas respetivas contrapartes femininas.
Agora a questão de perceber quem é quem nesta História.

Nunca sendo espetacular, nem revelador, o filme tem o dom de mostrar o outro lado da História, da forma mais imparcial possível.

Gostei… bem mais do que o que estava à espera.

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