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“Bem Bom” de Patrícia Sequeira

Há dois elementos fundamentais deste Bem Bom.
A extraordinária relevância da sua história (das DOCE, de uma era improvável, de um país em mutação, da música pop portuguesa. As limitações orçamentais que condicionam e desafiam o cinema português, limitando o seu alcance mas obrigando-o a ser bem mais do que a mera soma das partes.

É uma pena que o cinema Português não tenha acesso a orçamentos condignos com o fascínio e potencial das suas histórias. Quando olhamos para lá do filme, facilmente percebemos as “limitações” que Patrícia Sequeira e a sua equipa tiveram de superar para nos trazer a história das DOCE (e de um país, prestes a deixar de ser o que era!).

Fica evidente que com outros recursos havia material para fazer um filme com outras ambições. Um elenco dedicado, cúmplice e cativante, uma visão e gosto condizentes com o relevo da história e naturalmente uma História profundamente marcante e reveladora do nosso país. Sem eles, o filme supera-se, vivendo de um palco e de uma carrinha “pão-de-forma” para fazer o retrato de um país à beira de uma revolução (social e cultural!).

O 25 de abril já contava com 5 aninhos, mas a maior parte do país continuava parado no tempo. Social, cultural e relacionalmente ainda eramos exatamente os mesmos. Falta “agitar as águas”, “testar os limites”, “partir a louça toda”! Foi mais ou menos isso que as DOCE fizeram. Criaram novas ideais, novas atitudes, novos sonhos para um país (especialmente, o feminino) sedento de mudança. É verdade que uma larga maioria apregoava os mesmos costumes e resistência à mudança e à “revolução”. Mas pouco há a fazer quando embatemos de cara com o futuro!

O essencial (da história) das DOCE fica revisto, mas é por demais evidente que ficou muito por contar (sobretudo, por mostrar). Há todo um país a ansiar por protagonismo e uma (ou várias!) gerações sedentas por o conhecer. Mas não só as músicas ou as artistas. Igualmente, as ruas, as famílias, os fãs e todo o mundo envolvente que mudava (às vezes sem o saber) com elas.

Seria injusto terminar sem o devido destaque ao quarteto de protagonistas. Cada uma à sua maneira, Carolina Carvalho, Bárbara Franco, Lia Carvalho e Ana Maria Ferreira representam um pouco daquele país ansioso pelo futuro mas constrangidamente preso ao passado.
A solo, mas sobretudo em conjunto, as 4 demonstram um comprometimento intocável para com o projeto – na mesma medida que Fátima Padinha, Teresa Miguel, Lena Coelho e Laura Diogo o fizeram com as DOCE.

Mesmo que singelo, é um precioso retrato de uma das primeiras girls band do Mundo… e seguramente a mais marcante da história da música portuguesa.

Foi BEM BOM, com certeza!

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