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“Jack Reacher: Nunca Voltes Atrás (Jack Reacher: Never Go Back)” de Edward Zwick


É um filme de ação interessante mas que não chega ao elevado nível do seu antecessor.

A qualidade do material que lhe serve de suporte (ou seja, os livros de Lee Child) parece ser inquestionável porém, Jack Reacher versão cinematográfica, parece demasiado perdido e inconstante para o papel de lobo solitário.

Tom Cruise, a caminho dos 55 anos de idade, permanece uma das mais proeminentes estrelas de Hollywood, revelando a competência e sagacidade naturais de quem se mantém no topo (do mundo) há quase 30 anos. O tempo passa mas o jovem irreverente de Top Gun ou Cocktail continua a trilhar caminho, definir fronteiras e mostrar uma garra invulgares.

Quando em 2012, Jack Reacher lhe caiu nas mãos, parecia a fuga ideal ao mundo ultra-tecnológico de M:I. Um herói “à moda antiga”, altruísta, solitário e implacável. Sem tiques, nem modas, o filme de Christopher McQuarrie surpreendeu por recuperar para o cinema de ação, uma franqueza e simplicidade difíceis de encontrar nos dias de hoje. Tom dava corpo a essa visão e seria apenas uma questão de tempo até à óbvia sequela.

Envolvido em outros projetos, nomeadamente o universo M:I, McQuarrie cedeu a cadeira de realizador a outro nome familiar a Tom Cruise, e Edward Zwick (The Last Samurai) pôde dar o seu cunho pessoal a um franchise em crescimento. Reacher assume, então, um lado mais emocional e afetivo, algo que não tinha demonstrado, de todo, no filme anterior e essa dualidade não acaba por funcionar em abono desta sequela.
Apesar de algumas cenas bem congeminadas, o fulgor e autenticidade perdem-se em nome de uns quantos clichés do género. Mais desconfortável só mesmo a gritante necessidade em defender a “obrigatória” igualdade de géneros que vêm imperando em Hollywood.

O segredo de Jack Reacher passava, em grande parte, precisamente pela negação do “politicamente correto”. Uma negação saudável, sem abusos, que imprimia um estilo próprio e recuperava alguma da mística perdida dos filmes de ação dos nossos dias. Uma espécie de Dirty Harry do século XXI.

Mas em Never Go Back, Jack já não está sozinho. Primeiro a relação platónica com a Major Turner (Cobie Smulders), depois o amor fraternal por Samantha (Danika Yarosh). A ação continua a ser o elemento primordial mas para além da intriga ser bem menos densa e apelativa do que no primeiro filme, existem demasiados momentos sonolentos e lamechas lá pelo meio.

Jack continua operar na sombra, perseguindo as suas presas de forma subtil mas implacável. Até que um dia decide visitar o seu elo de ligação no exército, apenas para descobrir que a Major Turner encontra-se enclausurada e acusada de crimes contra a nação. Tirando partido dos seus recursos invulgares, Jack iniciará uma investigação por conta própria, o que acabará por incomodar gente bem poderosa e perigosa.

Seria uma pena que não voltássemos a ver Jack Reacher na grande tela. Mas, verdade seja dita, esta sequela não torna fácil a decisão de prosseguir com o franchise.

Esperemos que tenha sido apenas um percalço, num longo e proveitoso percurso!

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