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“Pókemon: Detetive Pikachu (Pokemon Detective Pikachu)” de Rob Letterman

Crítica ao filme do ponto de vista de um não-fã dos Pókemon e cujo conhecimento do vasto franchise da cultural popular se limita a um elétrico rato amarelo e a uma noção generalizada sobre o mais recente Pókemon Go.

Isso não quer dizer que não consigamos identificar, a vários momentos, as sedutoras piscadelas de olho aos verdadeiros fãs da bicharada, com o surgimento de algumas das personagens mais pitorescas ou das suas facetas mais divertidas. A diferença é que, para nós, é quase tudo novidade.

Sem esse olhar babado, acabamos por nos concentrar bem mais nas competências cinematográficas desta adaptação, nos seus intervenientes e na incrível evolução dos efeitos especiais.

Who Framed Roger Rabbit? continua a ser a referência máxima no que ao cruzamento entre imagem real e animada diz respeito, e só a referência já deve contar imenso a favor da reputação deste Detective Pikachu. A diferença principal é que enquanto o filme de Robert Zemeckis evoluía de filme de crianças para algo mais maduro e abrangente, o de Letterman vai fazendo o caminho inverso, prometendo mais do que aquilo que consegue cumprir.

O desenlace é algo previsível, ainda que imensamente reconfortante. E falta saber as consequências do mesmo, na previsível continuação deste primeiro filme da saga Pókemon!

Mas, em vez de falar no futuro, concentremo-nos no impecável trabalho de Ryan Reynolds. O namoradinho da América andou anos a tentar construir uma imagem afável e competente, até lhe terem dado uma oportunidade para “partir tudo”. Deadpool mudou para sempre a vida do canadiano e ele tem sabido meticulosamente aproveitar a onda.

Desta vez, Reynolds empresta a sua ousadia e descaramento à voz do famoso Pikachu. Sempre com o “turbo ligado”, o ratinho amarelo é destadacamente o melhor que o filme tem para oferecer. Humor, ternura e uma ingenuidade genuína que derretem o coração de qualquer espetador. É por ele que vamos ao cinema, e é por ele que saímos da sala com um sorriso nos lábios.

Justice Smith e Kathryn Newton, aproveitam a boleia e mesmo sendo humanamente os protagonistas do filme, acabam totalmente suplantados pela falange de Pokemon’s que invadem a tela. Há para todos os gostos. Rezingões, afáveis, explosivos e bem humorados, sobre humanos e alguns que servem apenas para paisagem.

Fica realmente a sensação que há muito para explorar (em futuras produções). A ligação entre animação e imagem real alcança níveis incríveis, e não raras vezes achamos totalmente normal ver um boneco a interagir com um humano.

O filme começa precisamente aí. Tim Goodman (Smith) está de visita a Ryme City quando esbarra com Pikachu, um Pókemon a atravessar um período difícil, marcado por uma amnésia recente e um gosto especial por café!
Tão improvável como imprevisível, a parceria procura desvendar o misterioso desaparecimento do pai do rapaz, um detetive da polícia que se encontrava a investigar um bicudo caso que pode até abalar a utópica harmonia vivida na cidade onde humanos e Pókemon’s partilha o seu quotidiano.

Irrepreensível em termos tecnológicos, o filme falha apenas no tom. O filme de detetives, resvala aos poucos para uma intriga infanto-juvenil, sem grande chama ou poder de fogo.
Letterman troca o enredo pelo franchise e aposta tudo na proximidade com o seu público – apresentando uma panóplia imensa de Pokemon’s – ao mesmo tempo que se contenta com uma intriga frágil e simplista que vive sobretudo da revelação final.

Os verdadeiros fãs ficarão certamente agradecidos.

Já os meros cinéfilos sentir-se-ão algo desiludidos… mesmo perante uma experiência enriquecedora!

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