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“Blinded by the Light – O Poder da Música” de Gurinder Chadha

Confesso que superou as expetativas.

Ao contrário dos fenómenos recentes em torno dos grandes cantores da nossa vida, Freedie Mercury, Elton John ou o nosso António Variações, este Blinded by the Light não é sobre o The Boss… mas sobre a sua música!

Mais propriamente sobre o efeito que as suas letras e músicas têm/tiveram nos fãs ao longo de várias gerações. Pela autenticidade e força das suas frases, pela sua relevância e impacto em todas as classes mas, sobretudo, nas mais desfavorecidas, nas mais isoladas, nas mais marginalizadas. Em especial na vida de um jovem inglês de origem paquistanesa, em meados da década de oitenta.

Pressionado entre as tradições familiares e suas próprias aspirações, Javed Khan (Viveik Kalra) (sobre)vive na modesta Luton em busca de um rumo diferente daquele que a sua família, e sobretudo o seu pai, “decidiu” para si. Até ao momento em que lhe dão a conhecer a música e obra do The Boss. Motivado pela mensagem certeira e inspiradora de Bruce Springsteen, Javev irá trilhar o seu próprio caminho, mesmo sem ter a mínima noção de onde este o levará.

Mais do que um feel good movie, a obra de Gurinder Chadha recupera a obra de um dos maiores cantores artistas do nosso tempo, dando-lhe uma roupagem poderosa, especialmente quando percebemos que tudo acontece a milhares de quilómetros de distância e alguns anos depois do artista e das próprias canções terem atingido a fama.

Eram, de facto, outros tempos. A velocidade e proliferação da informação, também a nível das artes (como a música), tinha um ritmo diferente do atual. E para um jovem imigrante, de origens humildes, será mais do que natural que esse hiato seja considerável.

O efeito, no que ao filme diz respeito, ultrapassa a própria vida do jovem Sarfraz Manzoor (nome real do protagonista). A sua história acaba por ser a de uma geração, de uma classe social, que se sentia marginalizada e isolada numa Grã-Bretanha no auge do Thatcherismo. Sim, de facto, é uma deliciosa aula de História. Uma história que se vai repetindo, infelizmente, com uma frequência demasiado intensa.

O filme, tem o dom de quebrar barreiras, superar preconceitos e expetativas. Vai muito para lá das músicas e enche o coração.

E fica no ouvido.

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