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“Tudo Bons Meninos (Good Boys)” de Gene Stupnitsky

A dada altura criou-se uma tal expetativa em torno deste Good Boys que ficou complicado correspondê-la… e compreendê-la.

Jacob Tremblay, Keith L. Williams e Brady Noon criam um adorável trio de amigos. Meninos bem comportados, amigos do amigo, insuspeitos e paranóicos, como quaisquer outros miúdos de 12 anos que começam a desvendar os segredos da adolescência, os truques da vida e a dureza dos castigos.
Até ao dia em que deixam de ser crianças.

Para Max, Lucas e Thor esse dia parece ter chegado um pouco mais tarde do que o normal. Convidados para uma festa na casa de um dos mais populares miúdos da escola, o trio tenta, em poucos minutos, ultrapassar anos de crescimento, acabando por se meter em alhada, atrás de alhada. E o relatório seria tão extenso que o melhor é ficarmos por aqui.

Amigos, vizinhos e compinchas, os 3 não olham a meios para se manterem unidos, pelo menos até um certo ponto. Novas aventuras irão colocar à prova anos de cumplicidade, mesmo que algumas pareçam algo exageradas ou deslocadas.
A questão é que a obra de Gene Stupnitsky não se fica por meias medidas. Sem paninhos quentes ou contenção, o filme segue em crescendo, do primeiro ao último minuto. A comédia vai-se intensificando e, paralelamente, vai-se americanizando. Ao ponto de a dada altura, ficar a ideia que foram longe demais!

Max é o namoradeiro. Lucas, o bom coração. Thor, o irreverente inseguro. Juntos preenchem mais de 90% dos típicos miúdos de 12 anos. Essa identificação é o principal aliciante do filme, o seu raison d’être, pelo menos, enquanto se mantém.
Esse ponto de não retorno, acaba por fazer descarrilar a história. É verdade que o desenlace consegue remediar a situação, mas fica a clara sensação que a confiança ficou comprometida.

Explorando a ironia dos seus protagonistas não terem idade suficiente para ver o filme, os seus autores carregam bastante na premissa, levando a história e os momentos cómicos ao extremo.
Curiosamente, com isso, o filme perde, igualmente, o seu público. Restrito demais para os mais novos, estranho demais para os mais crescidos, Good Boys acaba “em cima do muro”. O seu humor ambiciona ser desafiante, mas a sua história nunca deixa de ser infantil.

Talvez os mais adultos tenham o distanciamento necessário para apreciar a ironia e autenticidade da história, mas não, sem antes, colocarem os miúdos de castigo.

Por vezes, menos é mais… dúvidas houvesse.

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