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“To Rome With Love” de Woody Allen

Estar no estrangeiro (a trabalho ou de férias) não é, por norma, sinónimo de idas ao cinema ou outras experiências cinematográficas. Não bastasse a distância acaba por nos arredar do nosso ciclo habitual de antestreias e estreias.
No entanto, também é verdade que estando fora corremos o risco de depararmo-nos com surpresas como esta!

Ora bem, por terras gaulesas a mais recente obra do nova-iorquino Woody Allen estava em semana de estreia e era tentação a mais para deixar passar em branco! Já para não falar no facto de termos visitado Roma uns dias antes… ainda dizem que não há coincidências!?!

Se a surpresa foi óptima (aliada a enormes expectativas), o resultado final revelou-se inesperadamente insatisfatório! O périplo europeu do realizador – que incluiu paragens em cidades como Londres, Barcelona e Paris – terá muito provavelmente chegado ao fim depois de um filme que se resume à missão de cartão postal de uma cidade que tem muito para oferecer (com a excepção dos italianos e digo isto com conhecimento de causa!!) e que merece a nossa visita.

Woody Allen volta à cena, encarna a sua típica personagem de maluco esquizofrénico e é responsável pelos melhores momentos do filme. Pena é que as restantes histórias não tenham a mesma solidez, nem demonstrem entre si o mínimo de ligação.
Pessoalmente, sou um enorme fã de filmes mosaico mas “exijo” que as histórias tenham essa integração que as torna justificáveis. Infelizmente, Allen falha redondamente neste aspecto, deixando-nos, a momentos, a pensar o que anda aquela gente toda a fazer em frente da câmara!

O que acaba por salvar a face do realizador é a enorme qualidade dos intervenientes, mesmo que alguns pareçam desenquadrados das suas personagens. Ellen Page a fazer de “mulher fatale“? Alec Baldwin a fazer de… narrador(?) ?
Independemente disso, Jesse Eisenberg, Roberto Begnini, Penélope Cruz (mesmo repetindo as suas personagens de Nine e Vicky Cristina Barcelona), Judy Davis, os próprios Page e Baldwin e, até, Woody Allen demonstram uma qualidade bem acima da média e Roma acaba por beneficiar imenso com isso! O mesmo se pode dizer dos jovens italianos Alessandra Mastronardi e Alessandro Tiberi, muito provavelmente dando corpo às personagens mais genuínas do filme.

Sente-se a necessidade do filme em explorar alguns dos mais conhecidos marcos da capital italiana. O Colosseo, o Foro Romano, a Scalinata di Spagna, a Piazza Navona, a Fontana de Trevi, Trastevere (que diferença faz visitar um local em vez de o ver apenas através do olhar “romântico” da câmara de Woody Allen) ou a igreja de Santa Maria del Popolo, estão todos presentes e formam um cenário vastíssimo para um filme que podia (e devia) ter ido muito mais além!

O jovem casal italiano que chega à capital em busca de trabalho e acaba por encontrar outros rumos; o jovem casal de estudantes norte-americanos que albergam uma neurótica, fugosa e (im)previsível amiga; o italiano e a turista norte-americana que se conhecem em Roma e rapidamente fazerm planos de casamento; os pais da noiva que viajam dos EUA para Itália para conhecer a família do genro; o italiano que vira media star da noite para o dia; o conceituado arquitecto norte-americano de regresso à cidade onde viveu enquanto estudante. São muitas e variadas as histórias, algumas suculentas outras nem tanto.
Talvez não tivesse sido pior reduzir o filme ao essencial, em vez de dispersar assim tanto as atenções.

Contra todas as previsões Woody Allen meteu o pé na poça e deixou-nos desconsolados.
Quando ao dito romantismo de Roma, só mesmo no cartão postal…

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