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“99 Casas (99 Homes)” de Ramin Bahrani


99 Homes é um filme voraz, autêntico e atual que expõe o que de mais pérfido e egoísta o ser humano é capaz de fazer/ser, sobretudo numa altura (a recente crise financeira) em que a razão é totalmente estilhaçada pela emoção.

Sobretudo graças ao intensíssimo desempenho de Michael Shannon (que lhe valeu nomeações aos Golden Globes e aos Screen Actors Guild), a mais recente obra de Ramin Bahrani, realizador norte-americano de origem iraniana, teve direito a participar na “temporada dos prémios” ainda que acabando um pouco à margem dos “grandes tubarões”.

Ramin é um dos mais admirados realizadores norte-americanos non-mainstream gracejando os mais rasgados elogios nos mais relevantes festivais de cinema (Cannes, Veneza, Berlim, Sundance) fruto de 3-4 filmes diferentes e autênticos.
99 Homes marca a sua “estreia” no cinema dito comercial, mesmo sendo bastante perceptível as suas origens cinematográficas. E, ainda bem!

Tendo, então, a crise financeira e, mais propriamente, o drama dos milhares de pessoas que perderam a sua casa em resultado da esteria que se seguiu ao debacle financeiro de 2008, o filme explora as angústias, as oportunidades e a falta de ética, de moral e de escrúpulos daqueles que tiraram proveito de um situação deplorável e totalmente irracional.

Apesar dos seus melhores esforços, Dennis Nash (Andrew Garfield) perde a casa, onde vive com a sua mãe (Laura Dern) e o seu filho (Noah Lomax), numa decisão judicial apressada e pouco clara. No dia seguinte, Dennis é despejado pela polícia e pelo agente imobiliário Rick Carver, um homem vigoroso e assustador. Sem emprego, a morar num motel de beira de estrada e sem futuro, Dennis acaba por vender a alma ao diabo e aceita um emprego precisamente do homem que o despejou. Inicialmente, apenas pequenos trabalhos de construção civil e reparações mas rapidamente Dennis vê-se atraído pelo mundo de luxo e segurança monetária que Rick tem para oferecer, até ao ponto de ser ele, agora, quem acompanha a polícia nas ordens de despejo…

A maior virtude de 99 Homes é nunca tomar partidos. Ramin expõe os factos, na sua larga maioria verídicos, e deixa ao critério de cada um de nós julgar ou não cada uma das situações.
Naturalmente que, sentados no escurinho do cinema, todos teremos a tendência para recriminar os envolvidos… mas quando saímos para a realidade do dia-a-dia e nos deparamos com os nossos próprios problemas acabamos por nos sentirmos bem mais divididos quanto a muitas das ações dos protagonistas.

Shannon prossegue o seu percurso imaculado na 7ª arte, juntando aqui mais um desempenho virtuoso – para juntar a Take Shelter, The Iceman e Revolutionary Road, por exemplo.
Garfield, depois do cancelamento do seu Spider-Man, começa aqui a dar uma nova vida à sua carreira, demonstrando que há mais ator para lá do super-herói.

Começo a sentir saudades dos filmes de super-heróis porque isto de ir ao cinema ver a podridão da nossa realidade é muito… pesado!

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Comments

  1. 99 Casas: 5*

    Um filme excelente que mostra de uma maneira crua, mas real o mundo do setor imobiliário e do sistema de despejos nos EUA recomendo.

    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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