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“Ghost in the Shell – Agente do Futuro” de Rupert Sanders

Visualmente desafiante e inovador, a adaptação da manga (e do video-jogo) de imenso sucesso, destaca-se bem mais pela forma, do que propriamente pelo conteúdo.

Como aventura futurista, recheada de efeitos especiais e de reflexões cibernéticas “à la Ex Machina“, Ghost in the Shell funciona com especial mérito, recriando o Universo enigmático e viril que deu a conhecer Major e os seus aliados. Infelizmente, a dada altura, o filme mistura emoção com alguma lamechice e moralidade, acabando por revelar um enredo demasiado previsível e inacabado.

É verdade que nos dias que correm qualquer franchise (em construção) que se preze tem duas preocupações primordiais, entreter e criar um fio condutor que justifique a sua perpetuação para lá do capítulo inicial. Ainda assim, a dada altura a trama é apresentada de forma algo rocambolesca e pouco consistente, causando alguma confusão e até desinteresse.

Depois do sucesso de Lucy e da sua Black Widow (em The Avengers), Scarlett Johansson continua em grande forma, no que ao cinema de ação diz respeito. De atriz criança no final do século passado, a atriz nomeada em meados da década inicial do novo milénio, para action figure nesta década. Assim se pode resumir o percurso cinematográfico da nova iorquina. Com maior ou menor (mais raramente) sucesso, a protagonista deste Ghost in the Shell tem construído uma carreira invejável e diversificada, agradando a gregos e a troianos pelo caminho.

O papel de Major é mais um degrau nesse processo… mesmo que, desta vez, não tenha sido assim tão fácil agradar aos “troianos”, que prefeririam uma atriz asiática no seu lugar. Confesso que a momentos essa questão chegou-me a surgir durante o filme mas o pensamento foi rapidamente ultrapassado pelo ritmo e dureza com que cada cena de ação é enquadrada e ultrapassada. Com ou sem os “olhos em bico” Scarlett faz a sua parte. Ponto.

Major (Johansson) é a primeira da sua espécie. Uma combinação perfeita de humano e robôt, transformada em soldado implacável pela ganância e ligeireza de raciocínio dos seus “criadores”. Mas, a diferença das máquinas e dos seres humanos, e que estes últimos (pelo menos a maioria) têm uma consciência, sentimentos, passado e alma (no sentido mas lato que consigam consagrar). À medida que um novo e omnipresente inimigo emerge, Major começa a questionar a sua existência, as suas obrigações e, especialmente, o seu passado.

Por entre essas reflexões, somos brindados como algumas cenas de ação virtuosas (com especial relevo para a cena de abertura) envolvidas num ambiente futurista, cibernético e altamente “néonizado”. Ainda não foi desta que Rupert Sanders (me) convenceu. O realizador de Snow White and the Huntsman volta a ter nas mãos um filme com potencial mas que por um motivo ou outro não corresponde plenamente às expetativas.

É um bom filme de ação mas, infelizmente, não será muito mais do que isso. Há quem lhe chame alma, engenho ou talento. Da minha parte acho que o que faltou foi mesmo uma história cativante…. até ao último segundo.

Não sei se será suficiente para garantir o futuro do franchise.
A ver vamos, numa sala IMAX, preferencialmente.

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