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“Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle)” de Matthew Vaughn

Nós que durante tantos anos defendemos que Matthew Vaughn deveria ter sido o responsável pelas sequelas das suas obras, sentimos… defraudados.

Não há como fugir. The Golden Circle pode ter os seus momentos – com especial destaque para a cena de abertura – mas, grosso modo, não convence. A frescura e irreverência do primeiro filme são substituídas por um dúbio critério de bom gosto e de (in)coerência.

Por incrível que pareça dizê-lo, a respeito de um realizador com o talento de Matthew Vaughn, parece que “alguém” vendeu a alma ao diabo. A primeira ideia que me veio à cabeça ao sair da sala é que este segundo capítulo da saga é inteiramente um produto da indústria de Hollywood. A começar por um elenco recheado de estrelas, norte-americanas, passando pelo inexplicável regresso de Colin Firth – face à não afirmação de Taron Egerton como protagonista? -, pelos papéis diminutos de Channing ou Jeff ou pelo cenário desenxabido que serve de quartel general ao vilão de serviço, e culminando num enredo recheado de pontas soltas, inconsistências e incongruências.

Quando os Kingsman são totalmente arrasados, pouco mais resta a Eggsy (Egerton) e Merlin (Mark Strong) do que recorrer aos seus parceiros norte-americanos. Trocando os fatos elegantes pelo whiskey do Kentucky, a Statesman tem praticamente as mesmas funções e o mesmo historial dos Kingsman, pelo que nada será mais natural a Champagne (Jeff Bridges), Tequilla (Tatum) e Whiskey (Pedro Pascal) do que auxiliar os seus parceiros ingleses num caso que ameaça a paz mundial… de uma forma distorcida e extremamente complexa.

O entretenimento está lá, as personagens têm o seu potencial mas o enredo, sobretudo o enredo, deixa demasiado a desejar para uma sequela da qual se esperaria bem melhor. Nem mesmo a sala IMAX parece compor o ramalhete. As cenas de ação e humor cativam e motivam, recuperando o estilo bem próprio de Vaughn, mas são invariavelmente rematadas por um qualquer apontamento desnecessário e/ou de gosto duvidoso.

Vaughn seguirá o seu percurso. Apesar de tudo, os resultados de bilheteira tem sido razoáveis e a possibilidade de um terceiro capítulo ainda não está posta de parte. Ainda que duvido muito que o rumo a seguir seja este.

É verdade que a carne picada nunca mais terá o mesmo sabor… mas equiparar um malicioso rufia com um agente na lei com uma dúvida existencial, também não me parece adequado.

E temos Sir Elton John. Se temos…

 

  

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