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“Como Nossos Pais” de Laís Bodanzky


É seguramente o maior dilema de cada geração ao ultrapassar a casa dos trinta, iremos realmente ser Como Nossos Pais?

Ter filhos e vê-los crescer ajuda, e de que maneira, a ter essa interrogação. A sensação de déjà vú é, invariavelmente, a primeira etapa que, caso a caso vai sendo replicada nos diferentes obstáculos que a vida nos prepara.

É esse – pelo menos foi essa a nossa leitura – o ponto de partida para Laís Bodanzky construir uma narrativa atual e recorrente na nossa sociedade. São Paulo, Brasil, é o palco da ação. Algumas particularidades e preciosidades refletem a cultura e o quotidiano específico de um povo a precisar de psicanálise. Mas, grosso modo, somos todos iguais.

Rosa (Maria Ribeiro) estudou para ser escritora e dramaturga mas ganha a vida a escrever textos pomposos para catálogos de banheiras e lavatórios enquanto o seu marido (Paulo Vilhena) passa a larga maioria dos dias em parte incerta a defender os direitos dos povos indígenas que sobrevivem num país desequilibrado e incoerente.
Mas no dia que a sua mãe (Clarisse Abujamra) lhe comunica que ela é fruto de uma relação esporádica, da qual guardou segredo toda a vida, o já frágil equilíbrio emocional e familiar de Rosa desmorona por completo.
E essa revelação será apenas o início.

Um dos grandes trunfos do enredo de Bodanzky e Luiz Bolognesi é a forma direta e voraz com que alguns grandes segredos nos são revelados. A frieza e simplicidade de alguns momentos são realmente reveladoras, e se num primeiro momento a história parece demasiado ficcionada, o filme se encarregará se justificar tanto a forma como o conteúdo de cada clímax.

Clarisse Abujamra e Maria Ribeiro conduzem o filme a bom porto. A cumplicidade entre as duas não será em nada diferente da de qualquer mãe e filha, facilitando largamente a identificação com os seus conflitos e redenções. Podemos não concordar com o rumo ou com as soluções encontradas mas emocionalmente o filme não podia ser mais revelador… e realista.

Não diria que saímos da sala de coração cheio… talvez, até, o contrário.
Mas há uma autenticidade inquestionável. Uma voracidade reveladora. Uma paixão avassaladora.

20, 30 anos depois, a preocupação de cada um de nós passa por perceber se realmente nos comportamos Como Nossos Pais.
Mesmo cientes da inevitabilidade.

 

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